A queda livre de Moisés

O futuro dirá qual o nível de dificuldades dos historiadores sobre este período crítico da vida pública estadual. A aprovação do pedido de impeachment do governador Carlos Moisés da Silva e da vice-governadora Daniela Reinehr é resultante da soma do isolamento com a falta de articulação e excesso de arrogância política.

Como é possível que um governador eleito com mais de 71,09% dos votos dos catarinenses tenha recebido 20 meses depois da posse uma goleada na Comissão Especial? Que fragilidade espantosa é esta que transformou um capital político-eleitoral único na história do Estado num balanço tão desastroso em tão pouco tempo?

A votação favorável ao impeachment pelos nove votos representou um sinal eloquente da precária condição política do governador no Legislativo. Mais do que isso, indicativo de que no plenário as previsões são as piores, salvo apenas algum embargo judicial.

O indicativo é forte por circunstâncias políticas expressivas. O relator, deputado Luiz Fernando Vampiro, é líder do MDB, partido com nove deputados, e o primeiro a votar em plenário na sessão de amanhã. E a tendência dos parlamentares do MDB é pela acolhida do pedido de cassação dos dois mandatos, voto unido, como tem sido decidido, com rejeição a tentativas de interferência externa de seus líderes.

Não há, assim, sinal no horizonte de que haja votos suficientes para salvar o governador nesta primeira votação em plenário. Restará, então, o último capítulo, com o exame pelo Tribunal Julgador.

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