A proposta de uma transformação no Criciúma

Uma ideia grandiosa para o futuro do Criciúma, mas muito bem estruturada e com “os pés no chão”. Assim é o projeto liderado pelo advogado Alexandre Farias e quem foi oficialmente entregue ao Conselho Deliberativo do clube, na tarde de ontem, em uma apresentação que contou com a presença de imprensa e poucos convidados, respeitando os protocolos de distanciamento social exigidos pelos órgãos governamentais. “Essa apresentação representa a entrega solene ao Conselho Deliberativo, porque eu sempre tive, na minha atividade profissional, inicio, meio e fim. Tinhamos que entregá-lo ao Criciúma Esporte Clube. Hoje (Terça-feira), como é a data limite, fazemos a entrega”, pontua Farias.

Caso a iniciativa seja escolhida pelo Conselho, Farias contará com o médico Marinho Búrigo, Alex Viola e os investidores Francisco Gomes e Júlio César Correia na gestão de futebol. “Quando nós iniciamos esse processo, foi de forma isolada. Eu e o Marinho (Búrigo) conversamos e discutimos ideias. Depois, o destino nos colocou no caminho dessa equipe. Eles apresentaram uma proposta na condição de investidores. Então, eu falei do modelo que queria implantar e divergia um pouco das ideias deles. Em função da característica do clube e da cidade, eu sempre defendi que deveríamos ter um modelo presidencialista. Em função das constantes mudanças no futebol, eu não iria me opor em fazer uma parceria com eles, desde que eles tocassem o futebol. E aí faríamos uma grande parceria”, explica Farias.

O candidato a presidência defende a união na gestão do clube com um modelo eficaz e uma transformação dentro do Criciúma Esporte Clube. “O futebol tem um diferencial: mexe com a paixão do torcedor. Quando você tem insucesso dentro de campo, o torcedor acaba lhe abandonando e isso dificulta muito a manutenção de um clube de futebol, principalmente o Criciúma, que fica em uma cidade pequena do interior de Santa Catarina. Eu sempre acreditei na força da nossa torcida e na energia do carvão”, comenta.

Capacidade esportiva e financeira

Farias destaca as dificuldades financeiras vividas, historicamente, pelo Criciúma. “Nós vivemos, nas últimas três décadas, com o ‘pires na mão’. E ainda assim ganhamos a Copa do Brasil, Série B e Série C. Então, algo de positivo nós temos. Aqui as coisas acontecem diferentes. Eu acredito no projeto porque conheço a energia do Criciúma”, enfatiza.

O líder do projeto assegura que os investidores aportarão a quantia financeira que for necessária, ao menos nos primeiros seis meses de administração. “Eles aceitaram e entrariam como empregados do clube e me prometeram, se houvesse necessidade, nos primeiros meses, eles bancariam o custo do Criciúma Esporte Clube. Então, conversamos e elaboramos o projeto”, destaca Farias.

Para o médico Marinho Búrigo, a ideia é não cometer o mesmo erro contratual que foi feito com o acordo entre o clube e a empresa Gestão de Ativos (G.A.). “Quando houve a renúncia da G.A., se apresentou a todos o grande equivoco que nós conselheiros cometemos: esse contrato absurdo que deixamos passar nos últimos anos. Tivemos a mesma figura do presidente e do investidor, independente de quem seja ele, isso foge totalmente do estatuto e das condições do clube: ter uma gestão que se permita ter uma vida longa. Isso é um equivoco jurídico que nós cometemos”, diz.

A busca por uma gestão profissional

Francisco acredita que, até hoje, não faltou dinheiro ao Criciúma e, sim, gestão. “Desde o Antenor Angeloni, o Jaime também investiu, mas não tiveram gestões profissionais e, sim, uma medida mais caseira. A necessidade sempre foi uma junção da nossa capacidade com o local. Uma pessoa que pudesse ser o nosso presidente e pudesse entender o sentimento que nós temos profissional e não perdesse, ao mesmo tempo, as raízes e a emblemática que o clube tem”, destaca.

Gomes comenta que não tem intenção de arranhar a imagem da instituição Criciúma. “Somos pessoas bem sucedidas e não precisamos, em nenhum momento, desse tipo de situação para continuar o nosso trabalho. Temos capacidade e condições suficientes, tranquilamente, de fazer uma gestão profissional dentro do clube”, diz.

Um time com característica única

O projeto contemplado por Júlio César defende uma ideia de continuidade de características desde o Sub-12 até o time profissional. Algo que lembra muito a ideia implantada no Barcelona, onde todos os atletas, desde os jovens, sabem como o time joga. “Para nós o sistema de jogo não é uma limitante para se fazer o teu modelo. Então, nós temos uma ideia das variações de jogo que nós queremos ter do Sub-12 até o Profissional, para que eles possam chegar no time principal sem problema de adaptação”, ressalta.

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