‘A convivência com os animais é pura sinceridade’, diz mulher que passeia com cobra em BH


Aposentada Mônica Cunha tem 60 anos e é tutora de três jiboias. Mulher leva cobra para passear no Centro de BH e vídeo viraliza nas redes sociais
A cobra Tiopatinhas ficou famosa depois de ser flagrada passeando solta em um canteiro de Belo Horizonte (veja no vídeo acima). Ela é uma jiboia marrom de 180 cm e pertence à aposentada Mônica Cunha, de 60 anos, que mora no bairro Lourdes, na Região Centro-Sul da capital.
A tutora contou que tem ainda outras duas cobras: a Coronavírus e a Leidetripinha. Os bichos de estimação fazem companhia para Mônica, que sempre leva Tiopatinhas para passear em bares, igrejas, academias a céu aberto e praças.
Questionada pelo G1 se as cobras são amigas dela, respondeu:
“As únicas. O ser humano infelizmente é falso e invejoso. Não quero isso para mim. Já a convivência com os animais é pura sinceridade. O que mais posso dizer? Ou querer?”.
No vídeo que viralizou nas redes sociais, Mônica aparece tirando a cobra de dentro de uma bolsa. Em seguida, ela deixa o animal solto na grama, entre as ruas Rio de Janeiro e dos Tupis, no Centro. A aposentada também costuma levar Tiopatinhas para passear em um carrinho de bebê.
Cobra dentro de carrinho de bebê, em Belo Horizonte
Reprodução/Redes sociais
Os três animais dela foram comprados em um criadouro que fica em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A espécie não possui veneno.
“As serpentes são animais considerados silvestres. O comércio de animais é controlado por órgãos ambientais. Era o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), agora são os órgãos ambientais dos estados”, disse o biólogo Tiago de Oliveira Lima, de 39 anos, responsável pelo criadouro Jiboias Brasil, onde ela adquiriu as três espécies.
Segundo o Ibama, para manter cobras em casa, elas não podem ser venenosas e devem ser adquiridas em locais autorizados pelo órgão ambiental estadual, oriundas de criadouros legais.
“Cada ano comprava uma. É um vício que você entra, pega amor e, quando vê, não consegue sair”, relatou Mônica.
Mulher leva cobra para passear no Centro de Belo Horizonte
Reprodução/Redes sociais
De acordo com Tiago, o criadouro só pode vender filhotes nascidos em cativeiro. “Quando os órgãos ambientais fazem apreensões, os animais não podem ser devolvido para a natureza. Eles são encaminhados para criadouros e usados como matriz”, explicou o biólogo.
Cuidados e passeios
Biólogo Tiago Lima é responsável por criadouro de jiboias na Grande BH.
Tiago Lima/Arquivo pessoal
Ainda segundo o biólogo, esses animais demandam poucos cuidados e só se alimentam uma vez por mês, de pequenas aves ou de pequenos roedores. Para viver, precisam de um terrário de, no mínimo, 80 cm — dependendo do tamanho do bichinho.
Mônica passa hidratante sem cheiro ou óleo mineral para hidratar a pele nova das cobras. Quanto aos passeios, só são liberados para quem se comporta bem. A Coronavírus, por exemplo, nunca sai de casa, porque não gosta muito de ver gente.
“Tamanho não é documento. Ela é brava e se assusta à toa. Só de olhar para ela, ela pula em você. Não sou muito de pegá-la nem de sair com ela, para evitar problemas”, relatou Mônica.
Cobra dá voltinhas em praças de Belo Horizonte
Reprodução/Redes sociais
O criador explicou que as cobras podem viver até 40 anos em cativeiro. Ele também afirmou que a pessoa que adquire a jiboia de um local licenciado já sai com toda a documentação necessária: nota fiscal, certificado fotográfico e certificado de origem.
“É um animal querido, preferido, de companhia. Quem gosta, sente satisfação de andar com eles. Não existe uma necessidade em si de o animal ir passear, mas o contato é muito importante para, cada vez mais, fortalecer a ligação do proprietário com o animal”, finalizou o biólogo.
Cobra é vista ‘passeando’ no centro de BH
Mônica Cunha é dona de três jiboias
Mônica Cunha/Arquivo pessoal
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