A busca por um Bolsa Família bolsonarista continua

Imagine o sujeito que contrata um engenheiro para fazer sua casa. Olha o primeiro projeto e descarta. Um mês depois, o engenheiro volta com novo projeto, mas com os mesmos defeitos do primeiro. O sujeito fica furioso, rasga o papel, derruba a mesa e ameaça demitir o engenheiro. Saí lívido, aliviado de ter extravasado a raiva com a incapacidade do engenheiro de ouvir suas queixas.

Só que ele continua sem projeto para erguer sua casa.

Leia nesta edição: Queda na curva de mortes mostra sinais de alívio na pandemia. E mais: por que o futuro político de Lula está nas mãos de BolsonaroVEJA/VEJA

Essa é a situação do presidente Jair Bolsonaro. Ele deu um piti ontem quando leu nos jornais que a equipe econômica planejava criar um programa social para substituir o Bolsa Família limando os reajustes de aposentados. Chamou os assessores de “gente sem coração” e ameaçou dar “cartão vermelho” ao ministro Paulo Guedes e o número 2 do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Só que ele continua precisando de um programa social.

 Horas depois da descompostura do presidente a Guedes, os generais do entorno do presidente já telefonavam para os líderes no Congresso para traduzir Bolsonaro: o problema era a forma, não o conteúdo. A busca por um Bolsa Família bolsonarista continua.  

A prioridade de qualquer presidente é continuar no poder, seja através da sua reeleição ou da vitória de um aliado. Bolsonaro não é diferente, mas o seu estilo conflitivo o levou a ficar minoritário. Com a distribuição do Auxílio Emergencial de R$ 600, o governo Bolsonaro passou a ser aprovado por metade da população e ele se tornou favorito para a reeleição. Só que isso só vai durar até 2022 se Bolsonaro mantiver algum programa social do mesmo porte do Auxílio que apague a memória do Bolsa Família, marca das gestões petistas. A guerra de Bolsonaro é pela reeleição. O resto é bala perdida.

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