A pedido de Bolsonaro, governo vai dificultar destruição de equipamentos em operações do Ibama
BRASÍLIA – O
ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse neste domingo que
vai determinar ao Ibama a elaboração de uma instrução normativa
para definir as situações em que máquinas, veículos e
equipamentos poderão ser destruídos durante operações de
fiscalização do órgão.
A decisão foi
tomada depois de circular nas redes sociais um vídeo em que o
presidente Jair Bolsonaro afirma que a orientação do governo é
para que os fiscais não coloquem fogo em equipamentos, apesar desse
procedimento estar previsto em lei para casos em que os maquinários
estão em locais de difícil acesso, como nas operações em regiões
de garimpo ilegal ou extração de madeira na Amazônia.
No vídeo, Bolsonaro
aparece ao lado do senador Marcos Rogério (DEM-RO) comentando uma
operação do Ibama contra retirada de madeira ilegal na Floresta
Nacional do Jamari, em Rondônia.
– Ontem o ministro
do Meio Ambiente veio falar comigo essa informação (sobre a
operação que queimou caminhões com madeira irregular). Ele já
mandou abrir um processo administrativo para apurar o responsável
disso aí. Não é para queimar nada, maquinário, trator, seja o que
for. Não é esse procedimento, não é essa a orientação – disse
no vídeo.
Segundo Salles, os
veículos foram queimados durante a operação deflagrada na semana
passada. O próprio governador do estado teria enviado ao ministro as
fotos dos equipamentos queimados.
– Eu mandei checar
e vi que o local era próximo à estrada de asfalto. Ou seja, não
tinha impedimento nenhum de levar as máquinas embora.
O ministro disse que
a destruição de máquinas em operações de fiscalização deveria
ser uma exceção, mas acabou virando regra, na avaliação dele, o
que seria uma arbitrariedade.
– Vamos alterar as
regras no Ibama para colocar parâmetros mais claros para poder
descrever as hipóteses em que ficam autorizadas a destruição dos
equipamentos. A destruição virou regra. Não pode isso. Isso é uma
arbitrariedade. Você não sabe se isso contraria o processo legal.
Só vai ser permitido nos casos em que comprovadamente não tem como
retirar o equipamento. Essa regra de destruição foi concebida para
esses casos. Se você não pode retirar o equipamento lá, porque não
pode deixar lá, você acaba destruindo. Então acabou virando regra.
Eles encontram o equipamento e, em vez de apreender e levar para o
pátio do Ibama, tocam fogo e destroem.
Uma hipótese
estudada pelo ministro é determinar que veículos e maquinários
apreendidos sejam destinados a órgãos públicos responsáveis por
cuidar do meio ambiente.
– Em São Paulo,
quando eu era secretário (do Meio Ambiente), ao aprender máquinas,
a gente dava o chamado perdimento, e destinava as máquinas para as
prefeituras e os órgãos públicos justamente cuidarem do meio
ambiente.
Questionado se acha
que vai encontrar resistência dentro do Ibama com as novas regras, o
ministro disse que a instrução deverá ser respeitada. Quem não
cumpri-la deverá responder processualmente.
– A instrução
normativa é prerrogativa nossa. Que desrespeitar a regra vai
responder a processo. Se alguém queimar os equipamentos fora dessas
hipóteses previstas vai ser responsabilizado.
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