Tratamento em Houston não consegue salvar a vida de Camille

<p><br></p><p>Difícil começar a escrever quando o assunto é tão duro e triste. Em agosto do ano passado publiquei uma coluna cheia de esperança, contando que a linda Camille Zanoello, uma garotinha de 10 anos de idade e que morava com a família em Navegantes, já estava em Houston, nos Estados Unidos, onde iria tratar uma doença grave _ um dos mais raros e agressivos tumores no cérebro, chamado de glioblastoma multiforme. Ela havia viajado com os pais André e Renata Zanoello, e a irmã menor, Isabelle, na busca de um tratamento que ainda nem existe no Brasil, e que só foi possível graças à união de muita gente, que colaborou em uma poderosa campanha financeira realizada por meio das redes sociais. <br></p><p>Pois ontem, a guerreira Camille, que venceu tantas batalhas, não resistiu mais. O maldito do câncer foi mais forte. O tratamento nos Estados Unidos e na Bélgica teve momentos de felicidade e esperança e também de muito desânimo. Em abril, uma postagem da família no Facebook, trazia as melhores notícias possíveis: ”Estamos surpresos e felizes com os resultados”. Estas foram as palavras de nossos médicos no Brasil, que em conjunto com os do EUA e da Bélgica analisaram os últimos exames da Camille. O tumor segue estabilizado e sem atividade, e nós seguimos o tratamento como deve ser feito. Camille está bem, na medida do possível, com muita saudade de casa e de voltar à vida normal”. </p><p>Em junho, porém, as notícias já não eram boas. ”O período de remissão da doença acabou. O tumor de Camille voltou e está a manifestar-se em outras áreas do cérebro. Além disso, há uma lesão no rim que limita a prescrição de medicamentos”, escreveu a mãe de Camille, Renata. No dia 24 julho uma nova postagem da família nas redes sociais foi de cortar o coração: ”Hoje é um dia muito especial. Nossa Camille guerreira faz 11 anos. Sabemos que foi um aniversário diferente, pois não temos sua alegria, seu sorriso. Mas temos sua presença e podemos dar a ela o maior amor e carinho possíveis. Seu estado clinico segue o mesmo, já são quase 30 dias em coma. Mas seguimos batalhando e Camille, mesmo com toda a dificuldade, se mostra como sempre muito forte. Em conversa com os médicos definimos por um tratamento paliativo em casa. E como presente, hoje, teve alta para passar esse dia tão importante no lugar que ela mais ama: sua casa. Seguimos firmes nossa batalha”.</p><p>E que batalha travaram estes pais! Depois de tentarem todos os tratamentos no Brasil, sem resultado, levaram Camille para o maior centro de câncer do mundo, em Houston, no Texas. Uma corrente de solidariedade se formou primeiro em Santa Catarina, depois o Brasil (inclusive com divulgadores de peso como o Neymar e as modelos ‘angels’ da Victoria Secret) e que ganhou os Estados Unidos. ”Houston nos abraçou”, disse o pai. Foi assim que eles conseguiram pagar as despesas de mais de 50 mil dólares mensais.</p><p>Camille era uma criança incrível, sabia tudo o que se passava com ela, falava com propriedade sobre sua doença (e qualquer outro assunto) e era de um otimismo que enchia de esperança quem estava à sua volta. Queria ser médica, para poder ajudar outras crianças. ”Quero retribuir o que estão fazendo por mim”. Pena que a vida não é como as histórias de princesas que ela tanto gostava, nas quais todos os finais são felizes. <br></p><!- contentFrom:cms ->
Source: dc.clicrbs.