Volta das aulas em colégios militares vai parar na Justiça em Minas e no Rio

Justiça Federal determinou que o Colégio Militar de Belo Horizonte se abstenha de retomar as atividades de aulas presenciais. Multa é de R$ 50 mil por dia, em caso de descumprimento. Volta das aulas em colégios militares vai parar na Justiça em Minas e no Rio
No Rio de Janeiro e em Minas Gerais, a volta das aulas em colégios militares do Exército foi parar na Justiça.
Tainara tem 17 anos, está no segundo ano do ensino médio de um colégio militar do Exército em Belo Horizonte e desde março tem aulas pelo computador. A família dela está isolada em um sítio para se proteger da Covid.
“O que nós, pais, que estamos receosos e estamos preocupados com essa volta que fossemos realmente escutados. E a gente não tem a obrigação de estar enviando os nossos filhos para a escola presencial até que realmente a gente tenha uma segurança”, diz a funcionária pública Jeice de Souza Ignácio.
Na porta do colégio militar teve faixa de boas-vindas e muitos alunos apareceram.
“Deu para matar um tiquinho só da saudade que a gente estava do colégio”, afirma a estudante Natália do Vale.
“Voltar aqui foi muito reconfortante para mim”, diz a estudante Carolina Felícia.
A direção afirma que adotou ações de segurança como medição de temperatura, álcool em gel, rodízio de alunos para manter o distanciamento, janelas abertas e cantina fechada. O lanche deve ser levado de casa.
Por enquanto, só os alunos do oitavo ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio foram chamados para as aulas presenciais, de duas a três vezes na semana.
A Justiça Federal tinha determinado o teletrabalho a todos os professores do Colégio Militar de Belo Horizonte, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Para abrir a porta nesta segunda-feira (21), a direção do colégio argumentou que a decisão engloba apenas os servidores civis da área de docência e que as aulas presenciais são ministradas por professores militares.
A decisão do Colégio Militar contraria as recomendações das autoridades sanitárias da capital mineiras. As regras de controle da pandemia, definidas pela prefeitura, não preveem o funcionamento de escolas neste momento.
No fim da tarde, a Justiça Federal deu uma nova decisão. Determinou que o Colégio Militar se abstenha de retomar as atividades de aulas presenciais e aumentou a multa em dez vezes: R$ 50 mil por dia, em caso de descumprimento.
Além de Belo Horizonte, os colégios militares do Exército retomaram nesta segunda as aulas presenciais em Brasília e em São Paulo. As aulas já tinham sido retomadas no mês de julho em Manaus. No dia 8 desse mês em Belém e na semana passada no Rio, mas, a Justiça Federal determinou a suspensão das aulas a partir desta segunda. O colégio manteve as aulas com professores militares e argumentou que os civis irão permanecer no ensino a distância.
Em oito cidades as aulas presenciais ainda não foram retomadas.
O Colégio Militar do Rio de Janeiro voltou a declarar que a decisão judicial suspendeu o retorno dos professores civis, não dos militares e que as aulas presenciais não foram alvo da ação civil pública do sindicato dos servidores.
O Colégio Militar de Belo Horizonte declarou que vai suspender temporariamente as aulas presenciais em cumprimento à decisão da Justiça.