Vigilante perde moto para o fogo e se arrisca para salvar cães de incêndio em SP: ‘Vida importa mais’


Cercado pelas chamas, Phelipe Ferreira de Carvalho, de 25 anos, não quis abandonar os mascotes do posto de abastecimento de água onde trabalha, na zona Sul de Ribeirão Preto (SP). Vigilante perde moto e celular para o fogo ao salvar cães de incêndio em Ribeirão Preto
Carlos Trinca/EPTV
Cercado pelo incêndio que destruiu uma área verde superior a dez campos de futebol na última sexta-feira (18) e se aproximou de condomínios em Ribeirão Preto (SP), o vigilante Phelipe Ferreira de Carvalho perdeu a moto e o celular para o fogo enquanto ajudava a salvar dois cachorros que vivem no posto de abastecimento de água onde ele trabalha.
“Bem material eu consigo de novo. Na hora, você chora, mas depois passa, porque vi que consigo recuperar, então eu faria tudo de novo. É minha índole. Em uma situação dessa, bem material fica para trás”, diz Phelipe.
Vigilantes de posto de abastecimento de água adotaram cães em Ribeirão Preto
Patrícia Martinelli/Acervo pessoal
O vigilante, de 25 anos, diz que o incêndio começou por volta das 11h, mas estava a cerca de 500 metros de distância do posto, que abastece os condomínios da região. Preocupado, Phelipe decidiu guardar ferramentas de trabalho e se preparar para ir embora, mas o fogo foi mais rápido do que ele.
“Liguei para o meu supervisor para deixá-lo ciente de que, se aumentasse o fogo, eu pegaria minha moto e sairia, mas bateu um vento muito forte. Foi coisa de dois minutos e o fogo se alavancou”, relembra.
Preocupado com cães, vigilante deixou moto para trás e veículo pegou fogo Ribeirão Preto
Carlos Trinca/EPTV
Desesperado, Phelipe correu para salvar Bob e Pretinha, que foram adotados pelos funcionários do posto de abastecimento após terem sido abandonados em uma avenida da região e há cinco anos fazem companhia para os vigilantes do local.
“Teria dado tempo de tirar a moto, o celular, teria dado tempo de tudo, mas e eles? Eles são cachorros ativos, que correm, mas, devido à fumaça, eles se acuaram. Eu tocava, mas eles não saíam”, diz Phelipe.
Para salvá-los, o vigilante pediu ajuda a uma moradora de um condomínio da região, Fernanda Martinelli, que compra ração e medicamento para Bob e Neguinha todo mês. Fernanda estacionou o carro próximo ao posto e aguardou Phelipe colocar os animais dentro do veículo.
Moradores de Ribeirão Preto, SP, temem novos focos de incêndio na zona sul
Por conta da fumaça, os cães estavam agressivos e não se moviam com facilidade. Ao tentar resgatá-los, o vigilante se atrasou e não conseguiu pegar os próprios pertences. Ele pediu que Fernanda desse partida e o deixasse para trás, com objetivo de pegar a moto e ir embora.
Quando olhou para trás, no entanto, Phelipe viu que era tarde. O fogo já havia cruzado a tela do posto de abastecimento e atingido a moto dele. O vigilante saiu correndo do fogo em direção à Avenida Luiz Eduardo de Toledo Prado e, na correria, deixou o celular cair no mato.
“O calor veio no meu rosto. Só não queimei porque estava de capacete. Era tudo ou nada. Tive que abandonar a moto, pular um alambrado e sair correndo”, diz. “Sentia o calor nas costas e corria. Na hora, não dá medo. Dá desespero. Você só pensa em correr.”
Cachorro adotado por vigilantes em meio à mata queimada em Ribeirão Preto
Patrícia Martinelli/Reprodução
Os cachorros, que estavam tossindo por conta da fuligem, foram levados para casa de Fernanda, que prestou os primeiros socorros e usou soro fisiológico para limpar as vias aéreas deles. Os animais passaram a noite com ela e, na manhã de sábado (19), voltaram para o posto de abastecimento.
Por saber que Bob e Neguinha estavam em boas mãos, Phelipe, com dor de cabeça por ter inalado muita fumaça, decidiu voltar para Jardinópolis (SP), onde mora. Assim que chegou à cidade, ele foi até o pronto-socorro e recebeu analgésico na veia, com a orientação de repousar para repor as energias.
Vigilantes de posto de abastecimento de água cuidam de cães abandonados em Ribeirão Preto
Fernanda Martinelli/Acervo pessoal
Em casa, o vigilante conseguiu pegar emprestado um celular antigo de um amigo e o carro da irmã. Após o susto, ele diz que já está pronto para voltar ao trabalho, triste por ter perdido duas ferramentas importantes para o próprio trabalho, mas com a consciência tranquila.
“Perdi minha moto, meu celular, mas, se fosse preciso, faria de novo. A vida importa mais. O bem material dinheiro compra. A vida jamais”, diz.
Fogo atingiu posto de abastecimento de água na zona Sul de Ribeirão Preto
Carlos Trinca/EPTV
*Sob supervisão de Rodolfo Tiengo
Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca

Gostou deste blog? Por favor, compartilhe :)

https://jornaltijucas.com.br/feed/
Seguir por E-mail
YOUTUBE
Leitores On Line