Vacina de Oxford: farmacêutica britânica defende estratégia de duas doses contra a Covid-19


Executivo da AstraZeneca, que desenvolve a vacina em parceria com a universidade do Reino Unido, disse que laboratório estuda testar a imunização a partir de duas doses. Foto de 24 de junho de 2020 – Cientista trabalha durante visita do príncipe William, Duque de Cambridge, ao laboratório onde uma vacina contra o novo coronavírus (COVID-19) está sendo produzida, no Hospital Churchill, em Oxford

A farmacêutica britânica AstraZeneca, que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford uma vacina contra a Covid-19, disse nesta segunda-feira (20) que está disposta a testar a imunização em duas doses altas, em vez de se concentrar na aprovação de uma dose única ou doses baixas da vacina.
Também nesta segunda, os pesquisadores da vacina divulgaram um estudo com dados iniciais dos testes em laboratório com a vacina ChAdOx1, que se mostraram seguras e induziram a ativação do sistema imune.
“No momento, a coisa segura a fazer é ir com duas doses, e então vamos começar a explorar doses únicas ou doses baixas”, disse Mene Pangalos, executivo da farmacêutica em uma entrevista coletiva.
Resultados esperados
Os resultados, que já eram esperados pelos pesquisadores, se referem às duas primeiras fases de testes da imunização. A terceira fase está ocorrendo no Brasil, entre outros países. O efeito deve ser reforçado após uma segunda dose da vacina, segundo os cientistas.
Entenda a novidade anunciada:
a vacina de Oxford é a mais adiantada, das que estão em pesquisa, segundo a OMS. Ela está sendo testada também no Brasil
testes iniciais, das fases 1 e 2, realizadas na Inglaterra, agora apontam que ela é segura e induz o corpo a reagir contra a Covid-19; o resultado é o esperado
o resultado não permite ainda concluir se de fato uma pessoa exposta ao Sars-Cov-2 fica imune com a vacina
a fase 3, final, ainda está em andamento e ela é que irá determinar se há eficácia num grande número de pessoas
Vacina de Oxford para Covid é segura e induz resposta imune, indica resultado preliminar
Mais de 160 vacinas contra Covid em testes
De acordo com a OMS, há 163 vacinas sendo testadas contra o coronavírus, sendo que 23 delas estão na fase clínica, que é o teste em humanos. Os números são do balanço da organização com dados até 14 de julho.
O vacinologista de Oxford Adrian Hill explicou que é difícil comparar a efetividade das várias vacinas que estão sendo testadas, porque os parâmetros não são os mesmos. “Gostaríamos de testar as outras vacinas no nosso laboratório”, disse Hill.
As etapas de produção de uma vacina envolvem 3 fases:
Fase 1: avaliação preliminar com poucos voluntários adultos monitorados de perto;
Fase 2: testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Pacientes são escolhidos de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados;
Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia/segurança e prever eventos adversos; só então há um registro sanitário
Embora os estudos avancem em todo o planeta, o prazo de 12 a 18 meses para liberação é considerado um recorde. A vacina mais rápida já criada, a da caxumba, levou pelo menos quatro anos para ficar pronta.
Outra hipótese contra a qual todos os pesquisadores lutam é a de que uma vacina efetiva e segura nunca seja encontrada. O vírus do HIV, que causa a Aids, é conhecido há cerca de 30 anos, mas suas constantes mutações nunca permitiram uma vacina.

Com Agências