União, decepção e convenção

Empresários e marketeiros políticos, inclusive de Tijucas e São João Batista, tentaram unir as oposições em Canelinha. Muitos foram os mentores da fusão entre o PSL, o PP e o PSD, e que articularam o lançamento da chapa com o advogado Diogo Francisco Alves Maciel (PSL) e o vereador Abel Grimm (PSD) para o pleito majoritário da Cidade das Cerâmicas. O acordo foi proposto na noite de sexta-feira (12), e o ex-prefeito Antônio da Silva (PP), aceitando a convergência, já havia anunciado desistência da corrida ao paço e pré-candidatura à Câmara Municipal.

A notícia, publicada em seguida no site da Rádio Clube, porém, provocou uma enxurrada de manifestações contrárias nas redes sociais. Então pré-candidato a vice de Alves Maciel, o vereador Antonio Carlos Machado Junior (PSL), quando tomou conhecimento da manobra, falou, por mensagem de áudio para correligionários, em “surpresa e tristeza”. No sábado (13) ao meio-dia, no entanto, e diante das críticas, o acordo foi desfeito e os peesselistas confirmaram a chapa pura.

DECEPÇÃO

Desapontado com o desfecho das negociações, o vereador Abel Grimm (PSD) informou a apoiadores que decidiu abandonar as eleições e repensar a carreira pública. “Vou dar um tempo nestes quatro anos. Não sou objeto. Tenho a minha história. Não consideraram minha representação, meu trabalho”, desabafou em mensagem para uma eleitora.

Grimm garantiu que tudo havia ficado definido na sexta-feira (12) à noite, e que esperava ao menos um telefonema de Diogo Maciel para justificar a desistência do acordo. Na gravação, ele conta que apenas soube da quebra do tratado quando recebeu o vídeo em que os pré-candidatos do PSL para o pleito majoritário anunciam a manutenção da chapa. “Para mim estava tudo certo. Era negócio de homem”, lamentou.

POEIRA SACUDIDA

O ex-prefeito Antônio da Silva (PP), no entanto, com o fim das conversas com o PSL e a crise existencial de Grimm, agiu rápido, retomou a pré-candidatura ao cargo máximo do município e definiu, em convenção, à noite, o também vereador Altamiro Adames (PSD) como companheiro de chapa. “As pesquisas dizem que 42% dos eleitores de Canelinha continuam indecisos. Vamos vencer as eleições”, diz, otimista.

Surpresa ou não, o presidente da Câmara Municipal de Canelinha, Arlindo de Simas — que somava 30 anos de oposição declarada ao MDB na Cidade das Cerâmicas —, pulou as trincheiras, quebrou o retrovisor e se juntou aos ex-adversários. Desde a janela de transferências partidárias, no mês passado, ele é emedebista.

A aproximação entre Simas e o staff político do prefeito Moacir Montibeler ficou evidenciada na eleição da presidência do Legislativo, no fim de 2018. Naquela feita, o então vereador do PL, que mantinha discurso neutro, foi pivô de uma manobra do MDB e da administração municipal para tirar o comando da Casa do Povo dos rivais, e chancelou o tratado. A filiação ao partido que sempre combateu era questão de tempo; e se confirmou.

O engenheiro Sérgio “Coisa Querida” Fernandes Cardoso passou a ser visto com mais frequência no cotidiano tijuquense. Ontem à noite esteve no Benquisto Hamburgueria & Pub acompanhado de amigos e correligionários, como o comerciante Esi “Chico” Melo, o vereador Cláudio Tiago Izidoro (sem partido), o empresário Geremias Teles Silva e o secretário de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente de Tijucas, José Leal Silva Junior.

E como acontece ocasionalmente, sempre em período pré-eleitoral, o nome do ex-diretor do Sebrae vem sendo novamente especulado entre os colas-brancas para o pleito municipal da Capital do Vale.

VICE IDEAL

Agora aposentado, Coisa Querida tem viagem marcada para Portugal nos próximos dias. Ele fica em solo lusitano por três meses, para cursar especializações em gestão empresarial e técnica.

Enquanto isso, o staff do prefeito e pré-candidato à reeleição Eloi Mariano Rocha (PSD) conjetura a formação da chapa governista com o engenheiro. Há rumores, inclusive, sobre uma força-tarefa para filiação de Cardoso no PSL e, consequentemente, o cumprimento do tratado com o governador Carlos Moisés da Silva — para que os peesselistas participem ativamente do processo eleitoral no grupo situacionista.

Já diziam nossos avós: quem não queria, não queria, no fim até o prato lambia. Pivô das agruras do grupo governista na Câmara Municipal de Tijucas nos tempos mais recentes, o atual presidente Juarez Soares (PPS) foi o último a deixar a festa em comemoração ao sucesso do confrade, quase adversário, Vilson Natálio Silvino (PP), no pleito interno do Legislativo.

Soares, nos últimos meses, vinha anunciando o descumprimento do acordo de alternância da presidência da Casa do Povo entre os vereadores de situação e provocando contra-ataques severos e desmedidos nos próprios pares. Uma das mazelas do imbróglio foi a abertura de espaço, na mesa diretora, para um representante da oposição. A aprovação de Odirlei Resini (MDB) na vice-presidente da Câmara fatalmente passaria longe de ser considerada não fosse o litígio entre o atual presidente e o próximo.

PASSO ATRÁS

Ainda na tribuna, na prenunciada vitória de Silvino, a resistência passou à aderência. Na justificativa do voto, o atual presidente, já sem perspectivas de reeleição e com a candidatura renunciada, enfim, deu o braço a torcer. “Meu pai me ensinou que um homem deve honrar a palavra empenhada. Em homenagem a ele, voto no vereador Vilson”, pontuou Soares, e pôs panos quentes na relação com a bancada situacionista.

Está definido: o próximo presidente da Câmara Municipal de Tijucas é, de fato, o vereador Vilson Natálio Silvino (PP). Mas a direção geral da Casa é do MDB. Foi a estratégia – de toma lá, dá cá – que a situação adotou para conter o ímpeto do atual presidente, Juarez Soares (PPS), que abandonou o acordo governista, passou a negociar com a oposição, e queria a reeleição.

Na reunião de hoje, Soares tentou, ainda, indicar o diretor geral ou, no mínimo, o chefe de gabinete da presidência. Mas, já vencido, sem direito a pechincha, foi frustrado com a notícia de que os cargos estariam previamente preenchidos. Tarde demais.

RELAÇÃO CONTURBADA

Silvino e o atual presidente, que formam a bancada governista na Câmara e tinham um tratado de alternância da presidência do Legislativo, entraram em rota de colisão a partir da quebra do protocolo. Sexta-feira (23), porém, no Baile Tijucano da Acit (Associação Comercial e Industrial de Tijucas) e CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), posaram para a foto juntos e anunciaram as pazes e a retomada do acordo.

Hoje pela manhã, entretanto, na assembleia interna por cargos e posturas, discutiram mais uma vez.

Havia um acordo prévio nas entranhas do Imetro/SC (Instituto de Metrologia de Santa Catarina) para que, em caso de insucesso nas eleições de 2016 em Tijucas, o ex-prefeito Elmis Mannrich reassumisse a presidência da autarquia estadual. Mas a advogada Elizabete Luiza Fernandes Baesso, que substituiu o líder mor do PMDB municipal no comando da pasta, embora estivesse ciente do tratado – conforme noticiado pelo blog em 4 de outubro sob o título “Perde e volta” –, está fazendo jogo duro para deixar o cargo.

Nesta quinta-feira (2), Mannrich tem encontro marcado com o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), de quem espera uma posição definitiva e, obviamente, favorável. Aos seus, o ex-prefeito garante que nos próximos dias a situação estará resolvida.

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