Um mês após desabar, estrutura de caixa d’água segue interditando rua em Diadema


Desabamento ocorreu no dia 23 de agosto e atingiu 11 carros. Obra para remover estrutura só foi iniciada mais de 20 dias após o acidente. CDHU diz que serviço está em fase final. Um mês após desabar, caixa d´água ainda não foi totalmente retirada de condomínio
Parte da caixa d´água que desabou em Diadema, na Grande São Paulo, permanece interditando a rua um mês após o desabamento. O acidente ocorreu no dia 23 de agosto, na Avenida Afonso Monteiro da Cruz, no bairro da Serraria.
Responsável pela obra, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) afirmou, por meio de nota, que o serviço está em fase final, e deve ser concluído até a próxima semana.
Moradores do conjunto habitacional que fica em frente ao local relatam problemas no fornecimento de energia.
Os trabalhos de demolição começaram a ser feitos no dia 9 de setembro, mas foram interrompidos menos de 24 horas depois após o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) suspender os engenheiros e técnicos por 60 dias. A equipe foi substituída pela Companhia e a obra pode ser retomada no dia 14.
Acidente
Cratera se abriu no local onde havia caixa d’água que desabou em Diadema, na Grande SP, no dia 23 de agosto
Abraão Cruz/TV Globo
Vídeos gravados por moradores mostram o momento da queda da estrutura. Nenhuma pessoa ficou ferida, mas 11 veículos foram destruídos ou danificados pela obra de concreto. Os donos dos automóveis afirmam que não tiveram retorno sobre as indenizações pelos danos que tiveram.
“[O carro] era minha ferramenta de trabalho”, disse o autônomo José Ivan Bento, que usava o veículo para visitar clientes em outras cidades da região. “Agora é esperar”.
Questionada sobre o assunto, a CDHU disse que acionou a seguradora para indenização dos proprietários que tiveram seus veículos danificados e solicitou urgência na emissão do laudo final do sinistro para que os pagamentos sejam efetivados.
Os moradores da região também reclamam de problemas no fornecimento de energia e abastecimento de água.
A obra da caixa d’água ficava em frente a um condomínio da CDHU e antigamente servia para abastecer um conjunto da companhia, junto com outra caixa d’água semelhante, que já havia sido demolida.
Os trabalhos deveriam ter sido suspensos em maio, quando a empresa foi notificada pelo município por irregularidades.
Investigação
Caixa d’água desabou em Diadema, na Grande SP, no dia 23 de agosto
Abraão Cruz/TV Globo
A Polícia Civil investiga as causas e eventuais responsabilidades pelo acidente com a caixa d’água.
A TV Globo teve acesso a um documento que mostra que a Prefeitura de Diadema já tinha determinado a paralisação da obra e que o consórcio contratado pela CDHU retomou o serviço sem autorização.
A empresa GG Demolidora não tem registro no Crea e, em tese, não poderia fazer aquele tipo de obra.
A caixa d’água ficava em cima de dois conjuntos habitacionais e é um de dois reservatórios que abasteciam os condomínios, mas os dois sistemas já estavam desativados. Uma das caixas d’água já tinha sido demolida no começo do ano.
A CDHU informou que contratou o consórcio NOR Brasil para fazer a demolição de duas caixas d’água desativadas, que antigamente abasteciam os três prédios do conjunto habitacional e a que caiu estava em processo de demolição.
Obra embargada
Carro amassado por caixa d’água que desabou em Diadema, na Grande SP, no dia 23 de agosto
Abraão Cruz/TV Globo
A TV Globo teve acesso a um documento do dia 4 de maio deste ano em que a prefeitura determinava que o responsável pela obra deveria comparecer imediatamente no serviço de fiscalização de obras da prefeitura para apresentar o alvará de aprovação e execução da demolição e que a obra deveria ser sinalizada com placas e paralisada até que todo o processo fosse aprovado.
A fiscalização foi feita depois da primeira demolição em abril deste ano. A secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Diadema disse que interditou a obra e que a segunda demolição foi retomada em autorização.
“A empresa em nenhum momento nem notificou a prefeitura do início da obra e nem tinha nenhum alvará. Ela teria que entrar com os protocolos para fazer a demolição. O que ela iria fazer, qual o maquinário ela iria fazer e de que maneira ela ia fazer”, disse Márcia Carvalho, secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Diadema.
Desabamento de caixa d’água em Diadema, na Grande SP, ocorreu ao lado de conjunto habitacional
Abraão Cruz/TV Globo
Segundo o diretor técnico da CDHU, a Companhia não tinha conhecimento do embargo da obra e reconhece que houve falhas na execução.
“Nós não fomos notificados desse ofício da prefeitura. Esse ofício está no nome de um operador de máquinas da empresa lá e nós não fomos notificados desse ofício, senão não teria deixado continuar. Essa caixa d’água devia ter pelo menos uns 10 metros acima de onde aparece essa parte que demoliu, já tinha demolido a primeira parte. Essa perfuração que foi feita no meio está errada. Inclusive foi feita num fim de semana sem o nosso consentimento, conhecimento nem nada”, disse Agnaldo Quintela, diretor técnico da CDHU.
A CDHU informou que acionou o seguro para indenizar os donos dos carros danificados, disse ainda que a demolição só será retomada após o laudo da perícia e da emissão do alvará pela prefeitura de Diadema. A empresa responsável pela demolição, GG Demolidora, não quis comentar o caso.