Monday, 03 August, 2020

JORNAL TIJUCAS

Um mês após ‘ciclone bomba’ atingir SC, entidades discutem ações para prevenção de fenômenos climáticos



Videoconferência ocorreu no fim da tarde de quarta-feira, na sede da Defesa Civil estadual. Ventania causou um total de 14 mortes no estado. Entidades discutem como antecipar eventos climáticos em SC
Quase um mês após a passagem do ‘ciclone bomba’ por Santa Catarina, representantes de entidades estaduais e federais participaram de uma videoconferência na tarde de quarta-feira (29) para discutir o desenvolvimento de tecnologias com objetivo de prever eventos climáticos. O fenômeno atingiu o estado no dia 1º de julho, causando a morte de 11 pessoas e de outras três durante a reconstrução dos imóveis, de acordo com a Defesa Civil. O governo estadual decretou calamidade pública em razão dos danos, que causaram também prejuízos financeiros de R$ 588, 3 milhões à agricultura e à pesca.
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Moura, afirmou na manhã desta quinta-feira (30) que o encontrou teve como objetivo entender as necessidades do estado, além da estrutura que já mantém, como a rede de detectores, estações meteorológicas, radares e sensores que permitem aos especialistas acompanharem o movimento da atmosfera.
“Uma das propostas que surgiu, agregando ao que a Defesa Civil já tem, seria nós iniciarmos, a partir de Santa Catarina, uma pequena constelação de satélites, melhorando a nossa capacidade de atender a nossa região. A iniciativa, com a colaboração a agência espacial, poderia ser estendida para o restante do país. Para nós nos protegermos desses eventos, acompanharmos nosso biomas, prestarmos serviços ao agronegócio, ou seja, o leque de aplicações é muito grande”, disse em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina.
Passagem no ‘ciclone bomba’ pelo Sul do Brasil
Kleber Trabaquini/ Epagri-Ciram/ Goes 16 – NOAA
Entre os temas definidos na reunião, está a criação de um grupo de especialistas de diferentes setores, incluindo a agência espacial, para definir novos sistemas que podem ser agregados. Segundo Moura, foi discutida ainda a possibilidade do uso de recursos de uma lei que prevê investimento em projetos por parte de distribuidoras de energia elétrica.
“O que nós precisamos fazer é integrar melhor todas essas informações que nós temos e aumentar a nossa rede de detectores. Em terra, nós podemos ter mais estações meteorológicas e observadores treinados para fornecer informações que às vezes só o ser humano pode visualizar e transmitir rapidamente. Podemos aprimorar os modelos matemáticos que já existem, que fazem todos os cálculos e permitem aos meteorologistas antecipar a previsão do tempo”, afirmou Moura.
O presidente da Agência Espacial Brasileira ressaltou ainda que ações devem ser pensadas para evitar o desequilíbrio ambiental, pois os eventos meteorológicos que atingem no estado são impactados também pelo o que ocorre em outras regiões do planeta.
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Danos aos municípios
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, além das 14 mortes registradas durante e por consequência do ciclone, outras mortes no estado estão sendo averiguadas, que também podem ter sido resultantes do fenômeno.
Mortes confirmadas pelo órgão
Balneário Piçarras, no Litoral Norte: um homem morreu após cair do telhado durante a reconstrução;
Brusque, no Vale do Itajaí: um motociclista morreu após cair dentro de um rio;
Canelinha, na Grande Florianópolis: um homem morreu após cair de moto dentro de um rio;
Chapecó, no Oeste do estado: 1 Mulher de 78 anos angida por uma árvore;
Garuva, no Norte do estado: um homem morreu após cair do telhado durante a reconstrução do imóvel;
Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis: um homem que estava pescando em pequeno bote morreu durante o ciclone;
Ilhota, no Vale do Itajaí: um homem de 59 anos morreu após ser atingido pela queda de um muro;
Itaiópolis, no Norte do estado: uma mulher de 37 anos morreu após ser atingida por uma árvore quando estava dentro de um carro
Itapoá, Litoral Norte: uma mulher morreu durante a reconstrução do imóvel
Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí: um homem de 73 anos morreu após ser atingido por uma árvore
Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis: um homem morreu após ser atingido por fios de alta tensão
Tijucas, na Grande Florianópolis: três pessoas morreram após a queda de um galpão
Todos os 295 municípios catarinenses tiveram algum impacto durante a passagem do vendaval, levando em conta pessoas atingidas, danos materiais e à infraestrutura pública.
Igreja desaba durante passagem de ‘ciclone bomba’ em Garuva

Foram distribuídas cestas básicas, colchões, materiais de limpeza e utilizados na reconstrução de imóveis, entre outros itens de assistência humanitária, a 80 municípios, totalizando R$ 4,5 milhões, conforme informações do relatório emitido pelo órgão estadual.
Prejuízos à agricultura
A passagem do ‘ciclone bomba’ pelo estado também causou prejuízos à agricultura e à pesca catarinense. Conforme informações da Epagri, o prejuízo total em ambos os setores foi de R$ 588, 3 milhões segundo o relatório preliminar emergencial detalhado de perdas na agricultura e pesca catarinenses relacionado ao evento.
Produção de banana em SC tem prejuízo milionário após ciclone
O fenômeno resultou em perdas para 1.771 agricultores ou pescadores de 238 municípios atingidos. Joinville e região, no Norte do estado, foi o local mais prejudicado, segundo dados da Epagri, com perdas financeiras de R$ 187,3 milhões na agricultura ou pesca.
O município de Corupá registrou o maior número de perdas no meio rural, que chegaram a R$ 70 milhões. Em seguida, estão as regiões de Criciúma, no Sul catarinense, Itajaí e Rio do Sul, no Vale, e de Florianópolis.
Cerca de 2,5 milhões de pés de banana foram derrubados pelo ciclone em Corupá, no Norte catarinense

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