Trump indica ultraconservadora para vaga aberta na Suprema Corte dos EUA

Católica praticante, Amy Barrett nega que sua fé se sobreponha à Justiça. Trump indica ultraconservadora para vaga aberta na Suprema Corte dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou uma juíza ultraconservadora, que deve substituir Ruth Ginsburg na Suprema Corte do país.
Trump disse que o que está em jogo para o país nesse momento é muito importante. “A Suprema Corte vai decidir a sobrevivência da Segunda Emenda, que garante o direito de ter armas, nossa liberdade religiosa, nossa segurança pública e muito mais”, afirmou. E completou: “Não há ninguém melhor para fazer isso que Amy Coney Barrett.”
Ela afirmou: “Um juiz deve aplicar a lei como está escrita. Juízes não fazem as leis e devem deixar de lado qualquer opinião política.”
O presidente e Barrett elogiaram a carreira da juíza Ruth Ginsberg, que morreu na semana passada.
Barrett deve se tornar a primeira mulher com filhos em idade escolar a ocupar uma cadeira na Suprema Corte. Ela tem sete, incluindo dois haitianos adotados e uma criança com síndrome de Down.
Ela se formou em Direito na faculdade católica de Notre Dame, no estado de Indiana, e trabalhou com o juiz da Suprema Corte Anthony Scalia, extremamente conservador, que morreu em 2016.
Amy Barrett se tornou juíza federal há três anos, por indicação de Trump. Na época, a senadora do Partido Democrata, de oposição, Dianne Feinstein observou: “Quando alguém lê seus discursos, a conclusão a que se chega é que suas crenças religiosas falam alto dentro de você.”
Católica praticante, Amy Barrett nega que sua fé se sobreponha à Justiça. Ela é o oposto da juíza que vai substituir: o nome da progressista Ruth Bader Ginsburg virou sinônimo de conquista de direitos para as mulheres.
O principal assunto que separa as duas é um dos mais delicados e polêmicos, que sempre volta à tona em período eleitoral: o direito de interromper uma gravidez, garantido pela Suprema Corte há quase 50 anos.
Com a indicação de Barrett, seis dos nove juízes do tribunal serão conservadores. O Senado, controlado pelo Partido Republicano, pretende aprovar o nome dela antes da eleição, daqui a 38 dias, uma situação sem precedentes na história americana.
O presidente Donald Trump já disse várias vezes que só vai perder se houver fraude e que, se isso acontecer, vai brigar na Justiça. Ou seja, o resultado da eleição pode vir a ser decidido pela Suprema Corte. Com a indicação de mais uma juíza, Trump poderá ter a seu favor o mais alto tribunal americano.