Trump estimula apoiadores a votar duas vezes e tem posts ocultados


Washington
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Reuters

Numa viagem à Carolina do Norte, o presidente dos EUA, Donald Trump, estimulou os eleitores a votar duas vezes, primeiro por correspondência e depois presencialmente, para testar o sistema eleitoral.

A prática é considerada fraude no estado —onde incitar pessoas a duplicar o voto também é ilegal.

“Deixe que enviem [o voto por correspondência] e deixe que vão votar”, disse o republicano na quarta-feira (2) durante um evento de campanha em Wilmington. “Se o sistema for tão bom quando dizem, então não vão conseguir votar presencialmente.”

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Trump fala em discurso de campanha do lado do navio de guerra USS North Carolina em Wilmington, na Carolina do Norte
Sue Gerrits – 2.set.2020/AFP

Trump se referiu ao sistema de registros que vários estados utilizam para impedir que uma pessoa que enviou um voto por correspondência vote novamente.

Nesta quinta (3), ele reiterou o pedido no Twitter, dizendo que os eleitores deveriam comparecer às urnas no dia da votação para se certificar de que seu voto por correspondência foi contabilizado.

Se não foi, o eleitor deveria votar presencialmente para garantir que seu voto não seja “destruído, perdido ou jogado fora”, escreveu o republicano, que disputa a reeleição em novembro, contra o democrata Joe Biden.

As publicações foram ocultadas pelo Twitter por violar as políticas de “integridade cívica e eleitoral”. A rede social já ocultou diversas publicações do presidente, incluindo uma pela mesma razão, quando Trump disse que caixas de correio utilizadas em votação por correspondência não são higienizadas contra o coronavírus.

Um vídeo em que o republicano pede que pessoas votem duas vezes publicado no Facebook recebeu um aviso da rede social de que o voto por correspondência “tem um longo histórico de confiabilidade nos EUA”.

Assim como na Carolina do Norte, votar duas vezes é crime em diversos estados americanos. Segundo Patrick Gannon, porta-voz do conselho eleitoral da Carolina do Norte, o voto registrado primeiro é o que conta.

“Se alguém vota por correspondência, mas a cédula ainda não chegou, e por isso vota em pessoa, o voto pelo correio é declarado inválido”, disse.

De acordo com o conselho eleitoral, o eleitor é notificado se houver qualquer problema com seu voto por correspondência antes da eleição, como o preenchimento incorreto da cédula. Se notificado, tem a opção de corrigir o erro ou de votar presencialmente.

O presidente tem questionado a legitimidade do voto por correspondência, sugerindo que sua expansão, proposta por diversos estados em razão da pandemia de coronavírus, levará a fraudes. O republicano não apresenta provas.

No dia 18 de agosto, o diretor do serviço postal dos EUA, Louis DeJoy, anunciou que adiaria uma série de cortes nos correios após democratas acusarem a medida de tentar dificultar o voto por correspondência. DeJoy é um conhecido doador de campanhas republicanas.

O voto a distância é comum nos EUA e usado há anos por membros das forças armadas em postos no exterior, sem problemas. Nas eleições de 2016, 25% dos votos foram por correspondência, e o próprio Trump votou assim.

O advogado-geral da Carolina do Norte, Josh Stein, do partido Democrata, escreveu no Twitter que Trump encorajou eleitores a “quebrar a lei a fim de ajudá-lo a semear o caos na nossa eleição”.

“Vote, mas não vote duas vezes! Farei tudo ao meu alcance para garantir que a vontade do povo seja respeitada em novembro”, disse Stein.

Após reações negativas à sugestão do presidente, a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, negou em entrevista ao canal Fox News que Trump estivesse estimulando pessoas a cometerem um crime. “O que ele disse, muito claramente, é que você deve se certificar que seu voto foi contado, e que se não for, então você deveria votar”, disse. “O presidente não sugeriu que ninguém fizesse nada ilegal”.

O comitê nacional do partido Democrata acusou Trump de estimular fraude eleitoral e de tentar criar dúvidas a respeito da idoneidade do pleito.

Alguns estados governados por democratas tomaram a inciativa de enviar uma cédula pelo correio a todos os eleitores. A campanha de Trump e o partido Republicano já processaram os estados da Califórnia, Nevada e Nova Jersey pela medida, dizendo que ela aumenta a possibilidade de fraude.



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Com Agências

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