Três Peixes-boi são transferidos de helicóptero de Belém para centro de reabilitação em Santarém


Animais foram resgatados em Limoeiro do Ajuru, Cametá e Santa Cruz do Arari, ainda filhotes. Transferência durou 2h40 e foi necessária devido a problemas financeiros. Equipe se cerca de cuidados para garantir a segurança ao traslado do peixe-boi-da-amazônia, mamífero da família dos triquecídeos
Juan Azevedo/Graesp
Peixes-boi voando pelos céus da Amazônia. Parece, mas não é história de pescador. Essa foi uma operação ambiental para preservação de Peixes-boi-da-Amazônia, que foram transferidos em uma aeronave de Belém para o Centro de Reabilitação da espécie em Santarém, no oeste do estado. A transferência ocorreu na quarta-feira (16) e durou 2h40.
Os animais estavam na base do Instituto Biologia e Conservação dos Mamíferos Aquáticos da Amazônia (Bioma), da Universidade Rural da Amazônia (Ufra), localizado nas dependências do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio).
Em função de dificuldades financeiras, não era mais possível manter os animais no espaço. Foi necessário, então, transferi-los para a ZooUnama, em Santarém, onde há um centro de reabilitação e manutenção de animais resgatados. Se a viagem ocorresse por vias terrestres, duraria mais de 48 horas, colocando em risco a vida dos animais.
Peixes-boi foram transferidos de helicóptero de Belém para Santarém
Agência Pará/Divulgação
Por vias fluvial, a viagem seria ainda mais longa. “A viagem demoraria em torno de três dias e nós não saberíamos como esses animais iriam se comportar no meio fluvial, pois não teríamos como prever como a maré iria estar. Essa prática (traslado aéreo) já ocorre com muita frequência, especialmente no Estado do nordeste brasileiro”, explicou Maura Souza, representante do Instituto Bicho D’água.
Os peixes-boi-da-Amazônia são dois machos: Cametá, resgatado em dezembro de 2019, no município Cametá, nordeste do Pará, que atualmente pesa 20 quilos e mede 1,1 metro; e Arari, resgatado no fim de fevereiro deste ano, em Cachoeira do Arari, na Ilha de Marajó, pesando atualmente 30 quilos e medindo 1,2 metro. A fêmea chama-se Neguinha. Ela foi encontrada em Limoeiro do Ajuru, nordeste paraense, em abril de 2018. Atualmente com 60 quilos e 1,5 metro.
Vários cuidados foram adotados para fazer a transferência dos peixes-boi
Agência Pará/Divulgação
O traslado seguiu os protocolos desse tipo de operação. Os animais foram transportados em cima de colchonetes, cobertos com toalhas úmidas, com olhos protegidos com gazes e soro fisiológico, tendo o monitoramento da temperatura e visual durante todo o voo.
No Brasil, os sirênios – mamíferos marinhos herbívoros – são protegidos pela legislação da fauna silvestre. O peixe-boi está na lista de animais ameaçados de extinção no Brasil, conforme a Instrução Normativa nº 3/ 2003 e o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, que classifica a espécie como “em perigo” (ICMBio 2018).

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