Tradição ambiental do Brasil deve ser prioritária às posições do governo Bolsonaro, diz especialista

Presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante evento em SP

Em meio a muitas críticas internacionais sobre a gestão ambiental do governo Bolsonaro, o eurodeputado espanhol Jordi Cañas, relator do acordo, afirmou, em entrevista à BBC Brasil, que o “Brasil não é Bolsonaro”, destacando que documento trará controle e colaboração sobre a Amazônia.

O professor de Relações Internacionais do Ibmec-BH, Christopher Mendonça, em entrevista à Sputnik Brasil, declarou que é muito importante distinguir entre “aquilo que é o Estado e aquilo que é o governo”.

Em uma comparação do que é Estado e governo, o analista explicou que, enquanto o Estado é uma entidade burocrática muito mais contínua e perene, os governos têm determinações temporárias que fazem com que eles sejam provisórios.

“Nos últimos anos, com a posse do presidente Bolsonaro, nós tivemos uma perda observável da nossa preponderância, da nossa participação central nos temas do clima. No ano passado, por exemplo, nós tivemos uma conferência em Paris, na qual o Brasil participou apenas de maneira lateral”, observou.

“É muito essencial que se diferencia essas duas coisas no sentido de que o Brasil não pode ser acusado de ser um país que luta contra o meio ambiente em meio a uma tradição bastante longa da defesa de tudo aquilo que se refere ao meio ambiente”, acrescentou.

De acordo com ele, as ações e declarações do presidente Jair Bolsonaro devem ser entendidas como uma posição pontual e “não pode ser levada em consideração frente à grande competência e grande participação do Brasil na defesa do meio ambiente ao longo dos anos”.

O especialista também disse concordar com o relator Jordi Cañas no que diz respeito à necessidade de se acelerar o processo de negociação entre o Mercosul e a União Europeia, porque, segundo ele, “garantirá uma aproximação maior entre os dois blocos, fazendo com que a defesa da Amazônia se apresente como um tema comum entre estes dois blocos”.

“A tradição de defesa do meio ambiente que foi escrita pelo Brasil ao longo de longas décadas deve ser considerada prioritária em relação a uma opinião ou uma atitude de um governo específico”, declarou.

“Na minha visão, muito mais que evitar que esse acordo seja firmado, os países europeus, na defesa do meio ambiente, devem acelerar esse processo e construir pontes e instituições comuns entre os dois blocos que garantam a esses países uma maior participação nesses temas específicos da nossa região”, completou o especialista.

Com Agências