Trabalhadores dos Correios encerram greve após 35 dias no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de MG


Atividades foram retomadas nesta terça-feira (23), depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) aprovou um reajuste de 2,6% para os funcionários da estatal e determinou o fim da paralisação nacional. Agência central dos Correios em Uberaba
Reprodução/TV Integração
Os trabalhadores dos Correios do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas decidiram encerrar a greve e retomar as atividades nesta quarta-feira (23) após o Tribunal Superior do Trabalho (TST) aprovar um reajuste de 2,6% para os funcionários da estatal e determinar o fim da paralisação nacional. A categoria estava em greve desde o dia 17 de agosto.
A decisão foi tomada durante assembleia, na noite desta terça-feira (22), pelo Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Uberaba e Região (Sintect-URA). O sindicato atua em 156 cidades, sendo a maioria delas no Triângulo, Alto Paranaíba Noroeste, além de parte do Norte e do Sul de Minas.
O G1 tentou contato com o presidente do Sintect-URA para saber como a categoria avalia o resultado da greve na região e o quantitativo de funcionários que aderiram ao movimento, mas as ligações não foram atendidas até a última atualização desta reportagem.
O G1 ainda entrou em contato com a assessoria de imprensa dos Correios por e-mail para saber mais detalhes sobre o assunto, mas também não obteve resposta até a última atualização deste texto.
A decisão de encerrar a greve também foi tomada pelos outros sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect). Em nota, a Fentect afirmou que a determinação do TST não contempla a categoria e que irá recorrer.
“Vamos acreditar na luta sempre e observar o que tem de remédio jurídico para a gente. Perdemos essa batalha, mas muitas ainda virão. Há muitos desafios pela frente, como não deixar a empresa ser vendida”, disse José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect.
Também nesta terça-feira, os Correios afirmaram, em nota, que a maior parte dos funcionários que havia aderido à greve retornou ao trabalho, o que corresponde a 92,7% dos trabalhadores da estatal.
Greve não abusiva
Na decisão da última segunda-feira (21), o TST afirmou que a greve não foi abusiva. Com isso, metade dos dias de greve será descontada do salário dos empregados. A outra metade deverá ser compensada.
Relatora do processo, a ministra Kátia Arruda votou contra a declaração da greve como abusiva – o que levaria ao desconto integral das horas não trabalhadas.
A magistrada disse que a paralisação foi a única solução encontrada pelos trabalhadores, diante do fato de que a empresa tinha retirado praticamente todos os direitos adquiridos da categoria.
“É a primeira vez que julgamos uma matéria em que uma empresa retira praticamente todos os direitos dos empregados”, afirmou.
Cláusulas do acordo coletivo
De acordo com a Fentect, a paralisação foi deflagrada no dia 17 de agosto depois que os trabalhadores foram surpreendidos com a revogação do atual Acordo Coletivo, que estaria em vigência até 2021.
Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão do então presidente da Corte, Dias Toffoli, e suspendeu 70 das 79 cláusulas do acordo coletivo de trabalho dos trabalhadores dos Correios.
O pedido da suspensão foi feito pelos Correios. A empresa argumentou que não teria como manter as altas despesas, e que precisaria “discutir benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado”.
O acordo coletivo havia sido estendido até o fim de 2021 por decisão do TST em outubro do ano passado.
No julgamento do dissídio, o TST decidiu manter as nove clausulas oferecidas pelos Correios durante a negociação salarial – que incluem a oferta de plano de saúde e auxílio-alimentação – e outras 20 cláusulas sociais, que não representam custos extras aos Correios.
As outras 50 cláusulas do antigo acordo coletivo de trabalho foram canceladas.
Na sessão, Kátia Arruda contestou os argumentos dos Correios sobre problemas financeiros, e apontou que a estatal registrou lucro no primeiro semestre. Segundo a ministra, a empresa também tem lucrado com a pandemia da Covid-19, que resultou em aumento na demanda por entregas.
A ministra disse ainda que os Correios demonstraram “absoluta resistência” durante as negociações do atual acordo coletivo. “A meu ver, não houve negociação coletiva, porque a meu ver não houve qualquer tipo de cessão dos Correios para atender parcialmente às reivindicações da categoria”, disse.
“A Empresa de Correios e Telégrafos entendeu que não deveria haver nenhum benefício para os trabalhadores, que são o maior capital que ela possui”, prosseguiu.
O que dizem os Correios
Em nota, os Correios afirmaram que, desde o mês de julho, buscaram negociar os termos do acordo coletivo “em um esforço para fortalecer as finanças da empresa e preservar sua sustentabilidade”.
“Ficou claro que é imprescindível que acordos dessa natureza reflitam o contexto em que são produzidos e se ajustem à legislação”, informou a empresa.

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