Teerã afirma que ameaças de Trump contra Irã provêm de ‘alarmes falsos’ de Pompeo

O chanceler do Irã, Mohammed Javad Zarif, acusou o presidente dos Estados Unidos de ameaçar Teerã devido a um suposto plano de assassinato de uma diplomata norte-americana.

Nesta terça-feira (15), Zarif se referiu ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, como um “mentiroso”, que “enganou” Trump para que ordenasse o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, na capital do Iraque, no começo deste ano.

​O mentiroso enganou Donald Trump para que assassinasse o inimigo número um do Daesh [grupo terrorista proibido na Rússia e em muitos outros países], levantando um alarme falso.

Agora, ele está tentando levá-lo a um grande lamaçal ao vazar um novo alarme falso.

Fonte do Politico: “Oficiais dos EUA”

Fonte de Trump: “relatos da imprensa”

É hora de acordar.

Ao se referir ao artigo do jornal Politico, que cita autoridades anônimas de Washington ao afirmar que o Irã planejava uma operação para assassinar a embaixadora dos Estados Unidos na África do Sul, Lana Marks, antes das eleições presidenciais norte-americanas, Zarif disse que “ele [Pompeo] está tentando levá-lo [Trump] a um grande lamaçal ao vazar um novo alarme falso”.

Fazendo valer a narrativa de que o antigo dirigente da CIA é um “mentiroso compulsivo”, Zarif publicou uma foto de Pompeo, que reconheceu em uma audiência em 2019, que a agência de espionagem treinava seus agentes para “mentir, enganar e roubar”.

Nesta segunda-feira (14), Trump citou “relatos de imprensa” ao afirmar que o Irã “pode estar planejando um assassinato, ou outro ataque, contra os EUA” em retaliação à morte do general Soleimani em janeiro deste ano.

O presidente alertou que uma resposta a qualquer ataque iraniano “será mil vezes maior em magnitude“.

Nesta terça-feira (15) durante uma discussão virtual com o presidente do Atlantic Council, Frederick Kempe, o secretário de Defesa norte-americano recusou divulgar informações sobre o alegado plano de assassinato iraniano.

Contudo, Pompeo afirmou que os iranianos “não precisavam de uma ação dos EUA para conduzir operações de assassinatos pelo mundo”, uma vez que este tem sido o “modelo [iraniano] há 40 anos”.

‘Vendendo mentiras’

Conforme Teerã negou as atuais acusações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Saeid Khatibzadeh, recomendou que as autoridades dos EUA “parassem de recorrer a métodos banais e desgastados para criar uma atmosfera de islamofobia na arena internacional”.

O porta-voz ressaltou que os relatos atuais se enquadram com os esforços de políticos dos EUA de “vender mentiras”. Enquanto o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabiei, também alertou Washington contra realização de outro “erro estratégico”.

“Nós esperamos que eles [norte-americanos] não comentam um novo erro estratégico. Neste caso, eles vão encaram nossa resposta de resistência”, afirmou Rabiei em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (15).

Qassem Soleimani foi assassinado em um ataque dos EUA em janeiro, com Washington afirmando que o comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) do Irã estava planejando diversos ataques contra cidadãos e infraestruturas norte-americanos na região. A administração Trump, porém, não forneceu nenhuma evidência exata dos alegados planos de ataque.

Em 3 de janeiro, o general Soleimani morreu em um ataque de drone enquanto estava em veículo próximo ao Aeroporto Internacional de Bagdá. Ao manifestar uma “dura vingança”, o Irã lançou ataques de mísseis contra instalações do Exército dos EUA em Arbil, no Iraque, assim como contra uma base da Força Aérea dos EUA.

Um homem remove a bandeira iraniana do palco depois de uma foto de grupo com ministros das Relações Exteriores e representantes dos Estados Unidos, Irã, China, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, França e União Europeia durante as conversações nucleares do Irã no Centro Internacional de Viena em Viena , Áustria (arquivo)

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