Taxa de retransmissão do coronavírus cai em 20 estados e no DF e sobe em 6

O mês de junho terminou com seis estados registrando uma maior taxa de retransmissão do novo coronavírus do que terminaram maio
Os números fazem parte dos dados produzidos pelo projeto Covid-19 Analytics, feito em parceria pela PUC-Rio e a FGV
Para o cálculo, os pesquisadores consideram o Rt, que mede a taxa de retransmissão do vírus
Estados que tiveram alta de taxa entre 31 de maio e 30 de junho foram BA, PE, RN, RR, RS e SC

O mês de junho terminou com seis estados registrando uma maior taxa de retransmissão do novo coronavírus do que terminaram maio. Os números fazem parte dos dados produzidos pelo projeto Covid-19 Analytics, feito em parceria pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e a FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Para o cálculo, os pesquisadores consideram o Rt, que mede a taxa de retransmissão do vírus. Quando ela está abaixo de 1, significa que a média de pessoas contaminadas por um infectado está abaixo de uma, o que indica uma redução no ritmo da epidemia.

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Os seis estados que tiveram alta de taxa entre 31 de maio e 30 de junho foram: Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A maior taxa do país, segundo o cálculo, é 1,92 em Roraima.

Ao todo, seis estados estão com taxa inferior a um: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão e Pará. Na Paraíba, o mês de junho fechou com taxa igual a um.

A menor taxa do Brasil, de 0,8, estava no Maranhão, que —coincidência ou não— foi o primeiro a ter um lockdown, ainda no começo de maio. O estado tem taxa inferior a um há 20 dias.

Amazonas e Acre também estão com taxas abaixo de um há mais de 20 dias —28 e 25 dias, respectivamente—, mas os índices são maiores que o do Maranhão: 0,95 (AM) e 0,96 (AC).

Dinâmica da evolução torna situação diferente

Segundo Gabriel Vasconcelos, pesquisador da Universidade da Califórnia e do Núcleo de Análise Estatística de Dados da PUC-Rio, a dinâmica da evolução da epidemia torna a situação de hoje bem diferente daquela no fim de maio. “Ali quase todos os estados apresentavam taxas de contaminação acima de um, e até aqueles onde ela aparecia abaixo, como o Acre, era de uma forma pouco consistente, ou seja, poucos dias e muito próximo de 1”, diz.

Agora em julho, o pesquisador diz que a situação é de alívio para alguns estados que enfrentaram dificuldades com a epidemia, com destaque para quatro deles: Amazonas, Acre, Maranhão e Ceará. “Alguns estados podem dizer que o pior já passou e apresentam taxas de contaminação consistentemente abaixo de um e uma queda forte no número de mortes por dia. São seis estados que apresentam taxa de contaminação abaixo de um, mas o destaque maior vai para esses quatro”, conta.

Do outro lado da tabela, entretanto, estados apresentaram alta no Rt e entram em julho em uma situação pior ou com números ainda altos e preocupantes. “Isso ocorre especialmente no Sul e no Centro-Oeste. No caso do Sudeste, isso ocorre em Minas Gerais. Estes são os estados onde em maio aparentemente a contaminação ainda não havia tomado força”, explica.

“Em Minas, por exemplo, observamos uma taxa de contaminação de 1,6 e estimamos um aumento de 80% no número de casos acumulados para os próximos 14 dias. Já em Mato Grosso, outro estado que ainda apresenta números preocupantes, a taxa de contaminação está em 1,5 e a projeção é que o número total de casos pode dobrar em 14 dias”, completa.

Outros dois estados que chamam a atenção viveram fila de espera por leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), chegaram a ter taxas de retransmissão inferior a um e agora apresentam alta.

“No Rio de Janeiro os casos voltaram a subir, mas por enquanto isso não refletiu em mortes, que seguem caindo lentamente. Pernambuco também [teve alta de casos], e o número de mortes deu uma subida recentemente, até voltar a cair agora”, finaliza.

COM AGÊNCIAS