Suspender decreto sobre atuação de militares na Amazônia favorece desmatamento, diz AGU ao STF

Advogado-geral da União fez manifestação ao Supremo em razão de ação movida pelo PV na qual partido pede suspensão de decreto que permite atuação das Forças Armadas na Amazônia. A Advocacia-Geral da União afirmou nesta quarta-feira (16), em manifestação ao Supremo Tribunal Federal, que suspender os efeitos do decreto que permite a atuação das Forças Armadas em áreas da Amazônia Legal poderia “enfraquecer o combate ao desmatamento ilegal” na região.
A AGU apresentou argumentos ao STF em razão de uma ação apresentada ao tribunal pelo PV, na qual o partido questiona e pede a suspensão de um decreto de maio do presidente Jair Bolsonaro.
Esse decreto permite a atuação militar na garantia da lei e da ordem em áreas de fronteira, em terras indígenas e unidades federais de conservação ambiental nos nove estados da Amazônia Legal.
A relatora da ação é a ministra Cármen Lúcia, que já determinou a análise do pedido de suspensão do decreto pelo plenário do tribunal, em vez de adotar uma decisão individual.
No documento apresentado nesta quarta-feira, a AGU pediu que a Corte negue o pedido do PV, por entender que a norma não descumpre preceitos previstos na Constituição.
“Com efeito, a urgência e necessidade premente de combate ao desmatamento e focos de incêndio na vasta região compreendida pelos estados da Amazônia Legal demanda que o Poder Público se utilize de todos os instrumentos à sua disposição – entre os quais a colaboração das Forças Armadas – para a célere adoção de ações conjuntas que alcancem de resultados efetivos”, afirmou o ministro José Levi no documento.
Segundo ele, se a medida cautelar pedida pelo PV for concedida, terá “o condão de enfraquecer o combate ao desmatamento ilegal e aos focos de incêndio, suspendendo a atuação excepcional das Forças Armadas, a qual está compreendida em esforço do Estado Brasileiro, tanto logístico quanto orçamentário-financeiro, cuja finalidade é justamente a proteção do meio ambiente”.
No último dia 8, o Ministério da Defesa também já tinha defendido a manutenção do decreto em manifestação ao STF. Na ocasião, afirmou que “não há que se falar em militarização da política ambiental”.
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