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Realizada pela primeira vez online, a SP-Arte, maior feira de arte da América Latina, atraiu em cinco dias 56 mil visitantes, segundo a fundadora e diretora do evento, Fernanda Feitosa. Cerca de 15% desse público foi formado por estrangeiros. A primeira edição do SP-Arte Viewing Room, que terminou no domingo e aconteceu em uma plataforma hospedada no site da Feira, reuniu 136 expositores entre galerias de arte, lojas de design, editoras e projetos artísticos independentes. Só nas primeiras 24 horas de funcionamento da feira virtual, 1.500 europeus e 470 latinos acessaram o site da SP-Arte. Vários negócios foram fechados com colecionadores de países estrangeiros, entre eles Austrália, EUA e Suíça, segundo Feitosa.

No mercado interno foi registrado um crescimento no número de clientes que acessaram pela primeira vez o site da feira – e 40 deles eram de regiões fora do eixo Rio-São Paulo, o que atesta a carência de galerias, museus e outras instituições ligadas à arte nesses lugares. “Um galerista me disse que ele vendeu obras de arte para o Piauí pela primeira vez”, comenta Fernanda Feitosa. A descentralização geográfica é um fator de renovação do mercado que foi impulsionada pelo ambiente digital, atesta a diretora da SP-Arte. Entre esses 56 mil visitantes do site da SP-Arte estão potenciais colecionadores, que viram nos cinco dias da feira algo em torno de 3.600 obras de 1.100 artistas.

A feira ainda não contabilizou o montante de obras vendidas pelas galerias, mas é difícil que chegue ao patamar da última edição física da feira SP-Arte, realizada em 2019 e que registrou R$ 40 milhões em vendas. Este ano, devido à pandemia e ao quadro de recessão provocado pela quarentena, foram vendidas obras de valor médio (isto é, de valores inferiores a R$ 1 milhão), embora algumas galerias, como a Pinakotheke, tenham comercializado peças de modernistas como Di Cavalcanti, que facilmente ultrapassam esse valor.

O marchand Antonio Almeida, sócio da Galeria Almeida & Dale, registrou vendas de importantes artistas (Volpi, Tunga e Leonilson) e viu a procura por obras de nomes consagrados crescer durante a feira. “Muitas das pessoas que entraram em contato com a galeria por meio do site da SP-Arte, eu diria 80%, nunca tinham acessado digitalmente nosso acervo”, conta. Esse público queria, no entanto, ver as obras ao vivo – e a galeria marcava visitas presenciais para interessados (em peças de Antonio Dias, Rubem Valentim e Cícero Dias, entre outros).

Também a venda de contemporâneos teve um bom desempenho. Foram vendidos por meio da plataforma digital obras de Tunga (Galeria Steiner), Jorge Guinle (Galeria Simões de Assis) e Alex Cerveny (Casa Triângulo), entre outros. A média de vendas não ultrapassou cinco obras por galeria. Segundo Guilherme Simões de Assis, sua galeria vendeu três obras durante a SP-Arte, uma delas a tela A Flauta Mágica (1986), de Jorge Guinle, para um colecionador de Santa Catarina. O preço de uma tela do artista desse período oscila entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. Foi, claro, uma edição atípica, mas, de maneira geral, feiras virtuais não nutrem grandes expectativas de vendas de peças de alto valor. A maioria das galerias manteve seus espaços físicos abertos durante a feira para visitação, caso de Simões de Assis.

Poucos foram os colecionadores estrangeiros a entrar no site que fizeram aquisições significativas, mas a feira, conclui sua criadora, “ajudou a movimentar o mercado de arte e a gerar oportunidades de negócios para os expositores”. E, conclui Feitosa, a criar novas formas de apresentar as obras, citando um post da Galeria Millan com o pintor Paulo Pasta explicando ao público as pinturas da série As Passagens, que ele mostrou pela primeira vez na SP-Arte e que será exibida no fim do ano em mostra do MAM do Rio.

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