Série desbrava as paisagens da costa brasileira

Com oito mil quilômetros, a costa atlântica do Brasil reserva paisagens e formas de vidas nunca vistas fora daqui. Águas azuis e verdes, recifes e dunas, além de inúmeras praias. Se o mundo está mudando, a missão do cinegrafista e fotógrafo Cristian Dimitrius é preservar em imagens as nossas belezas.

Já está disponível a temporada completa de Brasil Selvagem: Costa Brasileira, produção original do National Geographic Brasil, em oito episódios. O foco nessa região do País é justificado não apenas por sua extensão, explica o cinegrafista. “A costa brasileira abriga todos os biomas nacionais, exceto o pantanal e o cerrado.”

A imensidão de histórias e imagens não intimidou Dimitrius. Para cada episódio, com cerca de uma hora, foram precisos 15 dias de gravações. “Quando você conta isso para alguém, muitos acham impossível, é um prazo muito apertado.”

Ao lado de dois assistentes, o cinegrafista explica que o roteiro da série se forma enquanto a viagem acontece. O risco de engessar o trabalho pode impedir o encontro com paisagens e animais, por isso trata-se de uma rotina de bastante paciência. “É quase um trabalho de naturalista. Observar e observar, respeitando os animais e o território. Quem assiste precisa entender como eles se comportam sem tantas interferências.” A cada nova imagem captada, Dimitrius comenta que vai desenhando o roteiro, de cabeça mesmo, unindo a força das imagens com o contexto das histórias.

Foi um trabalho semelhante na temporada anterior de Brasil Selvagem, totalmente dedicado ao pantanal. Embora seja considerada o menor bioma do País, essa savana brasileira é a maior planície de inundação do mundo, com 250 mil quilômetros de extensão, espalhada entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e partes do Paraguai e da Bolívia. “Lá tinha muita história. Mesmo que a gente siga com algumas ideias, o tempo é importante para que se descubra aos poucos, para que a natureza aconteça na sua frente.”

Na nova temporada, Dimitrius fez um mapeamento particular da costa, dividindo a região brasileira em protagonistas. Há um episódio sobre o Arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, conhecido por integrar berçário e rota de baleias jubarte. Em seguida, uma história com o ciclo da vida das tartarugas. “Nos preparamos para gravar, mas não estava na época certa, então foi um esforço para encontrá-las em uma área mais isolada”, diz. Outro episódio que o cinegrafista destaca é a migração de caranguejos, que precisam enfrentar inúmeros predadores como polvos e moreias. A seguir, a série traz os lençóis maranhenses, costas repletas de ilhas, e os guardiões da costa – moradores e profissionais que se dedicam na preservações desses espaços. Por último, a costa dos pampas, no Sul, que revela uma dinâmica diversa do Nordeste do País. “É pouco conhecida e possui espécies adaptadas no frio, as águas têm outra cor”, comenta Dimitrius.

Mas Brasil Selvagem não terá apenas belas paisagens. Dimitrius aponta que a ação humana deixa rastros. “Não há um lugar em que mergulhamos que não tinha plástico”, aponta. “Está cada vez mais presente.” Em tempos de emergência ambiental, da Amazônia ao Sul do País, o cinegrafista reconhece alterações que perturbam contextos naturais. “As estações não estão mais definidas, são tempestades e frentes frias fora de época, branqueamento de corais. São todos indicativos de que o pior está por vir.” Para ele, o registro de imagens, da vida espalhada pelo Brasil, tem um propósito afetivo. “A gente só preserva aquilo que ama.”

Com Agências

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