Santa Catarina registra crescimento recorde na produção de leite

Mesmo com as crises, cadeia leiteira evoluiu nos últimos anos. Região Meio Oeste, da qual Campos Novos faz parte, tem grande participação neste resultado.

De 1996 a 2017 o estado de Santa Catarina registrou aumento da produção de leite em 223%, superando a taxa de crescimento mundial em 21 anos. Os dados apontam o estado como o quarto maior produtor de leite do país, estando atrás apenas dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente. De acordo com o Engenheiro Agrônomo da Epagri, Tabajara Marcondes, neste período de 19 anos a produção leiteira mundial aumentou 51,3%, a brasileira 68,2% e a de SC 223,5%. “O Valor Bruto da Produção de 2019 foi de R$3,72 bilhões. A expectativa é de que este ano seja sensivelmente maior do que 2019, já que a produção estadual deve ser maior e o preço médio aos produtores melhores que o de 2019. O VBP de 2020 pode ficar mais próximo de R$4 bilhões. A estimativa da Epagri/Cepa é que a produção de 2020 fique próxima de 3,1 bilhões de litros”, relatou Evandro. São mais de 70 mil famílias envolvidas na atividade e o setor gera cerca de oito mil empregos diretos. Os dados que apontam tamanho crescimento fazem parte da Síntese da Agricultura, publicação produzida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina.

O leite respondeu a 11,1% do Valor Bruto de Produção total catarinense, inferior apenas aos de suínos e frangos. “Em 2017, 71 mil (39%) dos 183 mil estabelecimentos agropecuários do Estado produziram leite e 38,6 mil venderam leite. Estima-se que atualmente 25 mil produtores comercializam leite diariamente para as indústrias inspecionadas do Estado. Em 2019, apenas essa comercialização movimentou em média 290 milhões por mês e quase 3,5 bilhões no ano. A atividade leiteira é especialmente importante para alguns dos municípios da Mesorregião Oeste, responsável por quase 80% da produção estadual. Santa Catarina tem produção muito acima do seu consumo. Mais da metade da sua produção é destinada na forma de lácteos para o abastecimento do mercado de outros estados brasileiros”, declarou Tabajara.

Quais os fatores que contribuem para este impressionante crescimento? De acordo com Tabajara o clima da região, o solo, a vocação familiar e infraestrutura contribuem para este avanço. No entanto o profissional também lista outras situações que são importantes neste processo. “São fatores importantes a Quantidade e qualidade das empresas e cooperativas lácteas instaladas no estado. Instalação e modernização de plantas indústrias/capacidade industrial acima da produção. Ações do Senar com cursos, treinamento e qualificação dos produtores em parceria com as indústrias/cooperativas: Programa Leite Legal e Programa ATeG/Assistência Técnica e Gerencial. As ações dos municípios com subsídios de horas máquina, incentivo à inseminação artificial, conservação e adequação das estradas vicinais, apoio e disponibilidade de estrutura de ATER. Os programas de fomento como Programa Terra Boa, Programa de Fomento à Produção Agropecuária, Programa Irrigar, Programa Menos Juros Agricultura e Pesca, Programa de Sanidade Animal/Fundesa/Cidasc, Programa de Pecuária da Epagricom ações de pesquisa e de extensão”, são atividades que tem contribuído com a cadeia leiteira”.

Apesar do crescimento acentuado, a cadeia leiteira enfrenta desafios que devem ser contornados para se consolidar e dar mais segurança aos produtores. O agrônomo aponta a sustentabilidade econômica, social e ambiental como dificuldades no setor. “Esta situação implica em sistemas de produção competitivos, de baixo impacto ambiental e acessíveis a boa parte dos produtores catarinenses, e atrativos do ponto de vista da sucessão familiar. É importante também a manutenção de um sistema agroindustrial competitivo e diversificado como tem sido o catarinense. É necessário também aprimorar as relações de confiança entre os agentes da cadeia produtiva, de maneira especial entre os produtores e as indústrias. Existem alguns outros desafios relacionados à infraestrutura em geral, cooperações institucionais, qualidade do leite, manutenção/aprimoramento das políticas públicas setoriais, organizacionais, que ficam facilitados à partir dos anteriores e/ou que, de maneira geral, SC se encontra em situação muito melhor que a da maioria dos demais estados brasileiros”, afirmou.

Durante esses anos, pode-se dizer que este último tem sido um dos mais difíceis devido à crise provocada pela estiagem que dificultou a comercialização e elevou os valores do leite, conforme comenta o profissional: “A estiagem afetou a produção leiteira de praticamente todas as regiões de Santa Catarina, de maneira especial de março a maio. Isso implicou em aumento de custos aos produtores, necessidade de fornecimento de água para parte das propriedades leiterias (famílias e animais), entre outras dificuldades. Houve redução também na produção esperada para aquele período. A Epagri/Cepa estima que deixaram de ser comercializados quase 44 milhões de litros de leite dos produtores para as indústrias naqueles três meses.

A pandemia de início não gerou grandes transtornos a cadeia leiteira, porém, logo houve uma mudança na situação. “A partir de abril surgiram as primeiras dificuldades decorrentes do isolamento social, particularmente para as pequenas empresas de lácteos, cujas vendas dependem de hotéis, shoppings, restaurantes, pizzarias e lanchonetes que tiveram o funcionamento proibido. Em maio as dificuldades se ampliaram para outras empresas do setor, o que acabou se refletindo negativamente sobre os preços recebidos pelos produtores, com quedas bem expressivas de valores. No mês de junho o mercado funcionou melhor e em julho está melhor ainda. Por isso, depois da queda de maio os preços se elevaram sensivelmente tanto em junho quanto neste mês, pelo fato de nos primeiros meses a produção nacional não ser muito diferente da de 2019 (cujo desempenho ficou abaixo do esperado) e pelas ajudas financeiras às pessoas que perderam renda. É daí que surgem as preocupações com os próximos meses, quando aumentará a produção leite e as ajudas financeiras não existirão mais O cenário de 2021 é preocupante, já que o desempenho da cadeia produtiva do leite depende exclusivamente do mercado interno. Economia em baixa, desemprego em alta e queda da renda nacional são muito ruins para o leite”, explicou.

Com Agências

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