Russomanno exalta alinhamento com Bolsonaro e atrai o PTB de Roberto Jefferson para sua vice

Numa convenção em que exaltou o alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) oficializou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo nesta quarta-feira (16), com o advogado Marcos da Costa (PTB) como vice.

O PTB, de Roberto Jefferson, agora aliado de primeira hora do presidente, já havia lançado Costa em sua convenção, mas vai abrir mão da candidatura do ex-presidente da OAB-SP.


O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo

Russomanno também tentou uma aliança com o PSDB, do prefeito Bruno Covas, e uma costura de última hora com o PSL, articulada pelo Palácio do Planalto —as duas tentativas falharam.

A ideia da chapa Republicanos-PTB, patrocinada por Bolsonaro, é unir os candidatos conservadores de São Paulo na tentativa de alcançar mais votos.

Na convenção, Russomanno prometeu que São Paulo terá “o mair e melhor” colégio militar do país e afirmou que no seu escopo estão “Deus, pátria e família”, temas caros a Bolsonaro. Seu vídeo de divulgação fala em “apoio do governo federal”.

“Nós estaremos alinhados com o presidente da República. Não tenho dúvida disso. Não porque sou amigo dele desde 1995, quando cheguei à Câmara. Não porque hoje sou vice-líder do governo no Congresso. Mas porque estamos imbuídos, os dois, de fazer o melhor pelo nosso país”, disse Russomanno.

“As pessoas podem falar muitas coisas do presidente Bolsonaro. E até não concordar com sua forma de administrar. Mas ninguém pode dizer que ele não tem boas intenções, que ele não é um patriota, que ele não está construindo um Brasil para todos”, completou. ​

O parlamentar, que é apresentador de TV e atua na área de defesa do consumidor, largou como favorito nas eleições de 2012 e de 2016, mas acabou em terceiro lugar. Ele vinha resistindo a entrar na disputa, mas assumiu a tarefa após ter a indicação de que o presidente o apoiaria.

Na segunda-feira (14), ao comentar a confirmação de Russomanno sobre a candidatura, Costa disse à Folha que seu diferencial na briga pelo voto dos bolsonaristas em São Paulo era o fato de nunca ter ocupado cargo eletivo.

“Na hora em que começar a campanha e as pessoas me virem, saberão que há uma opção para quem está cansado dos mesmos nomes e dos mesmos partidos”, afirmou ele, que tem se apresentado como um representante do conservadorismo e do cristianismo.

Como o partido Aliança Pelo Brasil não se viabilizou a tempo, os eleitores bolsonaristas ficaram sem um candidato que represente esse campo na capital paulista. Russomanno, conservador e membro de um partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, quer preencher esse vazio.

O Republicanos também é o partido que abriga, no Rio, dois filhos de Bolsonaro (Carlos e Flávio).

A princípio, Russomanno negociou um espaço na chapa tucana, do prefeito Bruno Covas (PSDB), mas não houve acordo. O Republicanos acabou entregando os cargos que mantinha na gestão municipal.

Enquanto conversava sobre o posto de vice de Covas e abria articulações com outras siglas, Russomanno adiou sua convenção para esta quarta, último dia permitido pela legislação eleitoral para que os partidos oficializem suas chapas.

A parceria ora fechada repete a dobradinha da eleição municipal de 2012, quando Russomanno fechou na última hora o apoio do PTB, que abriu mão da candidatura de Luiz Flávio D’Urso, deslocado para a posição de vice do aliado. A dupla terminou em terceiro lugar.

Na segunda-feira (14), como revelou a Folha, o Palácio do Planaltou tentou um acordo com o presidente do PSL, Luciano Bivar, para rifar a candidatura de Joice Hasselmann (PSL) em São Paulo e indicar um vice a Russomanno.

A jogada, que naufragou, favoreceria Russomanno. Bolsonaro espera que a vitória do aliado lhe dê uma base eleitoral na maior cidade do país na eleição de 2022 e se contraponha ao plano do adversário, governador João Doria (PSDB), de reeleger Covas.

Joice e seus aliados, como o presidente do PSL paulista, deputado Júnior Bozzella, e o senador Major Olímpio (PSL-SP), não aceitaram abrir mão da candidatura. Caso Bivar insistisse em derrubá-la, a questão se arrastaria em processos judiciais, cenário que o entorno de Russomanno preferia evitar.

Russomanno esteve com Bolsonaro em duas agendas privadas no Planalto e também apareceu ao lado do presidente no último dia 5, durante visita à obra da pista do aeroporto de Congonhas, na capital.

O lançamento oficial da candidatura do deputado era a única peça importante que faltava no xadrez eleitoral paulistano. Com o período de convenções encerrado, a eleição na capital terá 14 candidatos.

Russomanno lançou a pré-candidatura em 7 de agosto, após ser pressionado pelo partido. Sua candidatura era vista com ceticismo por adversários, já que ele não se engajou em eventos de pré-campanha.

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