RS autoriza volta às aulas em meio a desconfiança de pais e professores

RS autoriza volta às aulas em meio a desconfiança de pais e professores

Decreto do governo gaúcho autoriza reabertura gradual de escolas. Pesquisa Ibope mostra que 72% dos brasileiros são contra volta da aulas antes de vacina

Em meio à queda na ocupação dos leitos hospitalares pelo novo coronavírus na região Sul do país, os estudantes devem voltar às salas de aula em algumas escolas do Rio Grande do Sul nesta terça-feira, 8.

A retomada das aulas entre os estudantes gaúchos tem tudo para ser um evento acompanhado de perto por gestores públicos de outros cantos. O motivo: o estado é um dos primeiros entre os mais populosos do país a autorizar o ensino presencial mesmo sem uma vacina ou tratamento contra a covid-19. Até agora, apenas uma parcela dos estudantes do Amazonas já voltou para a escola.

Uma pequena parcela dos estudantes gaúchos, contudo, vai tirar a mochila do armário nesta terça-feira. De acordo com um decreto do governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB), a volta às aulas presenciais agora está autorizada apenas aos alunos da pré-escola dos municípios onde a pandemia está em estágio mais controlado.

Na capital Porto Alegre, onde os casos da covid-19 seguem em alta, o retorno ao ensino presencial, paralisado em 19 de março, está fora de cogitação. Na prática, apenas escolas municipais e particulares do interior poderão abrir novamente as portas agora. O retorno será em salas com 50% da capacidade pré-pandemia. Atividades que promovam aglomerações, como aulas de educação físicas, estão proibidas.

A ideia do governo gaúcho é autorizar o retorno às aulas aos poucos nas demais etapas do aprendizado. No ensino superior e médio, isso deve ocorrer em 21 de setembro. Nas classes do 5º ao 9º ano, só em 28 de outubro. Por fim, nas turmas do 1º ao 4 ano, a volta ao calendário escolar de 2020 só deve ocorrer em 12 de novembro.

Os pais ou responsáveis poderão manter os alunos em casa caso não sintam à vontade com as atividades presenciais. Nestas situações, os estudantes deverão seguir o calendário online de aulas de cada instituição de ensino.

O calendário de retomada das aulas no Rio Grande do Sul tem sido criticado pelos professores gaúchos. O Cpers, principal sindicato da categoria, vem fazendo campanha nas redes sociais para pressionar pais e professores a só voltar as aulas após uma campanha de vacinação em massa contra a covid-19 – o que deve ocorrer só no início de 2021, no melhor dos cenários.

Em outros estados, os planos para retomada têm sido adiados em virtude da pressão contrária de pais e professores. Em São Paulo, onde o calendário escolar também previa o retorno de parte das aulas em 8 de setembro, o governo do tucano João Doria deve permitir a volta as salas de aulas só em 7 de outubro.

Um decreto autoriza para esta terça-feira somente a abertura de escolas privadas e para atividades como reforço escolar. Entram na regra só cidades na fase amarela do plano de reabertura há pelo menos 28 dias, e devem aderir mais de 120 dos 645 municípios.

Na capital paulista, o prefeito Bruno Covas, também do PSDB, admite que as aulas podem voltar só em 2021 – a decisão final deve sair em 15 de setembro. Por ora, só estão autorizadas as atividades presenciais de reforço escolar.

No Rio de Janeiro, o governo estadual, prefeituras e professores ainda não chegaram a um acordo sobre a estratégia de retomada das aulas. O calendário estadual, divulgado antes do afastamento do governador Wilson Witzel (PSC), prevê o retorno em 14 de setembro das atividades nas escolas particulares e em 5 de outubro nas públicas e universidades. Na capital, ainda não há data prevista.

A volta às aulas tem sido polêmica pelo Brasil. Uma pesquisa do Ibope com 2.626 brasileiros, divulgada nesta segunda-feira, 7, mostrou que 72% dos entrevistados desejam o retorno do ensino presencial apenas quando uma vacina contra a covid-19 estiver disponível em larga escala à população.

Os entrevistados da região Sul são os que têm maior resistência à retomada do calendário escolar: 77% são contra a volta sem haver uma vacina. Resta saber se a iniciativa gaúcha de autorizar o ensino presencial vai convencer pais e mães a deixarem seus filhos irem de volta para a escola.

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