Revolta e tristeza marcam enterro de mulher morta pelo ex na frente da filha, em hospital particular no DF


Shirley Rúbia Gertrudes, de 39 anos, foi assassinada a facadas. Vítima estava dentro de consultório pediátrico, ao lado do médico e da criança. Enterro de Shirley Rúbia Gertrudes, vítima de feminicídio no DF
Afonso Ferreira/G1
Um clima de revolta e tristeza marcaram, nesta quarta-feira (16), o enterro de Shirley Rúbia Gertrudes, de 39 anos, vítima de feminicídio no Distrito Federal. A segurança foi morta, na segunda-feira (14), pelo ex-marido, Rafael Rodrigues Manoel, de 35 anos, em um hospital particular de Ceilândia.
O sepultamento foi no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Na entrada da capela, havia fotos de Shirley Rúbia.
Uma delas foi compartilhada pela vítima nas redes sociais, em 2018. Ela pedia “o fim da violência contra as mulheres”.
Fotos de Shirley Rúbia Gertrudes na entrada da capela do Cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, em Brasília
Afonso Ferreira/G1
O assassinato de Shirley ocorreu durante uma consulta médica. A mãe, a menina de 4 anos e o médico estavam dentro do consultório quando o homem entrou e esfaqueou Shirley.
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Segundo a família, o casal estava separado há quatro meses, no entanto, o ex não se conformava. Ele cometeu suicídio após o crime (saiba mais abaixo).
O enterro
Uma irmã e o filho de Shirley, de 16 anos, precisaram ser amparados por familiares. Durante a cerimônia, os amigos e parentes fizeram homenagens e orações.
Ao G1, uma irmã de Shirley Rúbia contou que a vítima “era uma mulher guerreira e trabalhadora e que a vida dela era os filhos”. A dona de casa Mirlene Ronnie Gertrudes, contou à reportagem que a família agora busca forças para ajudar a criar os dois filhos da segurança.
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O crime
Shirley Rúbia Gertrudes foi morta pelo ex-companheiro, Rafael Rodrigues Manoel
Reprodução/Facebook
Shirley Rúbia Gertrudes e Rafael Rodrigues Manoel chegaram juntos, com a filha de 4 anos, para uma consulta pediátrica no Hospital São Francisco, em Ceilândia, na tarde de segunda-feira (14). Testemunhas contaram à Polícia Civil que viram os dois discutindo na sala de espera.
Conforme a assessoria do hospital, a vítima e o ex-marido entraram juntos no consultório e “em determinado momento”, o homem saiu. Pouco minutos depois, ele voltou com uma faca e atingiu a mulher.
“O médico e a filha do casal presenciaram o crime”, disse a assessoria.
Medico em estado de choque
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Depois atacar a esposa, o suspeito deixou o hospital e se matou. Ele foi encontrado na casa onde morava com os pais, em Samambaia, a cerca de sete quilômetros do local do crime.
A delegada da Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (Deam II), Adriana Romana, disse que o médico que realizava a consulta entrou em estado de choque, ao presenciar o crime. Mas, mesmo assim, chegou a providenciar socorro.
“Ela [Shirley] foi pro centro cirúrgico. Mas eles não conseguiram salva-lá”, disse a delegada.
Hospital São Francisco, em Ceilândia no DF
TV Globo/Reprodução
A filha do casal foi atendida pelo departamento psicológico da unidade de saúde. A delegada afirmou ainda que, mesmo com os relatos sobre o relacionamento do casal, não foi encontrada ocorrência ou medida protetiva envolvendo Shirley Rúbia Gertrudes.
Como e onde denunciar violência contra mulheres?
Em meio à pandemia ao novo coronavírus, a Secretaria de Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP) tem canais de atendimento que funcionam 24 horas. As denúncias e registros de ocorrências podem ser feitos pelos seguintes meios:
Telefone 197
Telefone 190
E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
Whatsapp: (61) 98626-1197
Delegacias – que são consideradas serviço essencial – continuam funcionando normalmente. Trinta delas atendem em regime de plantão ininterrupto de 24h.
O DF tem duas Delegacias Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), na Asa Sul e em Ceilândia, mas os casos podem ser denunciados em qualquer unidade.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), também recebe denúncias e acompanha os inquéritos policiais, auxiliando no pedido de medida protetiva à Justiça.
Em casos de flagrante, qualquer pessoa pode pedir o socorro da polícia, seja testemunha ou vítima.
Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM)
Endereço: EQS 204/205, Asa Sul, Brasília
Telefones: (61) 3207-6195 e (61) 3207-6212
Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (DEAM II)
Endereço: QNM 2, Conjunto G, Área Especial, Ceilândia Centro
Telefone: (61) 3207-7391
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)
Endereço: Eixo Monumental, Praça do Buriti, Lote 2, Sala 144, Sede do MPDFT
Telefones: (61) 3343-6086 e (61) 3343-9625
Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar
Contato: 3190-5291
Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal
Contato: 180
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