Republicanos arrependidos contra Trump

Dissidentes se organizam em grupos para arrecadar dinheiro, ajudar campanha de Biden e impedir a reeleição do presidente. John Biden e Donald Trump diputam eleição presidencial nos EUA em novembro

Sem esperar, a campanha democrata capitaneada por Joe Biden ganhou um reforço extra, mas a ajuda vem do campo adversário. Grupos de republicanos investem contra a reeleição Donald Trump, imprimindo mais uma marca excêntrica ao pleito de 3 novembro nos EUA.
Há de tudo. Eleitores arrependidos deixam testemunhos em vídeos na plataforma Republicans voters against Trump (eleitores republicanos contra Trump), com o objetivo de impedir que o presidente obtenha um segundo mandato.
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“Não há nada que esse homem fez que tenha melhorado esta nação”, resume David Jackson, de Colorado. “Vou apoiar outro partido agora por causa de Donald Trump. Tenho muita vergonha por ter votado nele”, relata Marie, de Connecticut. “Tampe seu nariz, vote nos democratas e livre-se deste pedaço vil de tecido humanoide”, apela Nigel Cameron, de Wisconsin.
Outra organização anti-Trump, o Lincoln Project, arrecadou US$ 16,7 milhões entre abril e junho e funciona como um super PAC (Comitê de Ação Política), publicando anúncios e vídeos que fomentam a ira do presidente. Criado por ex-estrategistas republicanos, tem em seu núcleo o advogado George Conway, que vem a ser nada menos do que o marido de Kellyane, uma das principais conselheiras do presidente.
Em maio, o Lincoln Project exibiu o vídeo Mourning in América (Luto na América), numa alusão ao slogan otimista Morning in America (Amanhecendo na América) usado na reeleição de Ronald Reagan. Num tom sombrio, o anúncio transmitido no intervalo entre os programas prediletos de Trump, desanca a atuação do presidente no manejo da pandemia e da crise econômica.
Trump mordeu a isca, achincalhou os dissidentes chamando-os de perdedores e Rino (“Republicanos só no nome”, na sigla em inglês). Ponto para os democratas. Em apenas dois dias, após a
reação raivosa do presidente, o Lincoln Project arrecadou mais US$ 2 milhões. Anthony Scaramucci, ex-diretor de Comunicação de Trump no início de seu governo, passou para o outro lado, criando o Right Side PAC.
Detratores do presidente que integraram o governo George W. Bush estão agora agrupados em outro super PAC, o “43 Alumni for Biden”. O número 43 refere-se ao de Bush como presidente, associado também ao neoconservadorismo e à doutrina de guerra preventiva que norteou seu governo.
Lançado no início do mês, a organização relata, entre seus objetivos, mobilizar tradicionais eleitores republicanos “decepcionados com os danos causados pela Presidência de Donald Trump ao país”.
A gota d’água foi a marcha do presidente, em junho, até uma igreja nos arredores da Casa Branca, durante os protestos contra a morte de George Floyd. Antes que ele chegasse lá e posasse para fotos com uma Bíblia na mão, a polícia limpou a área com uso da força para dispersar os manifestantes.
Não é a primeira vez que o presidente sofre ataques de republicanos. Os movimentos que se destacam agora foram precedidos do “Never Trump”, formado na campanha de 2016 por correligionários descontentes. Os grupos anti-Trump sabem que ele mantém uma base de apoio ainda inabalável — cerca de 84%, segundo pesquisa recente da Universidade Quinnipiac — entre os republicanos.
Nenhum presidente na era contemporânea, contudo, foi alvo de uma campanha opositora tão organizada dentro de seu próprio partido para destituí-lo. E, o que é mais emblemático e inusitado, entregar a Casa Branca a um democrata.

Com Agências

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