Represa Billings tem trechos com água tóxica que pode ser letal, aponta pesquisa


Sabesp esclarece que água da Billings não é consumida, mas reportagem flagrou crianças brincando no reservatório. Estiagem e esgoto clandestino aumentam concentração de poluição. Estudo inédito mostra que consumo e banho em trechos da Billings podem ser letais
Alguns trechos da represa Billings, no sul da região metropolitana de São Paulo, têm a água tão tóxica, que pode ser letal, de acordo resultados preliminares de uma pesquisa da Universidade de São Caetano do Sul (USCS) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).
Nesta quinta, a reportagem flagrou uma extensa mancha verde, com pontos azulados, no reservatório, e, em novembro de 2019, milhares de peixes apareceram mortos na área. Segundo especialistas, estes são sinais de que as manchas são tóxicas.
O estudo, que fez um sequenciamento genético dos microorganismos coletados, ainda está sendo finalizado, mas os resultados preliminares mostram que a presença de crianças brincando na água acendem um grave sinal de alerta.
“Infelizmente nós verificamos que essas cianobactérias são extremamente nocivas à saúde. Elas produzem uma toxina que chega a ser letal, ou seja, se uma pessoa ou animal ingerir essa toxina, pode morrer”, explicou a professora Marta Marcondes, da USCS, que pesquisa as microalgas e bactérias da Billings há seis anos.
“O reservatório nunca apresentou qualidade de água boa ou regular, sempre péssima nesta região”, continuou.
De acordo com os pesquisadores, a piora da qualidade nos últimos anos se deve a uma combinação de estiagem com crescimento de comunidades no entorno da Billings, que despejam esgoto clandestino.
Há um ano, o reservatório operava com 100% da sua capacidade, mas, como em 2020 choveu pouco, hoje opera com 75%. A quantidade de esgoto não tratado se mantém, de modo que a concentração de poluentes aumenta.
Cachorro nada em enorme mancha verde na Represa Billings
Reprodução/TV Globo
O que diz o governo
Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) explica que a Billings não é usada para o abastecimento dos moradores, mas sim para a geração de energia elétrica. Quem abastece a região é o Sistema Rio Grande.
A secretaria estadual de infraestrutura e meio ambiente disse que a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) e as prefeituras da região promovem ações socioambientais e investem em redes de coleta e tratamento de esgoto na área.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) discorda dos resultados preliminares do estudo e diz que a qualidade da água por lá varia entre regular e boa.

Gostou deste blog? Por favor, compartilhe :)

https://jornaltijucas.com.br/feed/
Seguir por E-mail
YOUTUBE
Leitores On Line