Rafa Castro canta memórias das águas em álbum gerado em imersão amazônica


A escrita de Guimarães Rosa também é fonte de inspiração para o artista mineiro na criação do repertório autoral do disco ‘Teletransportar’. ♪ Nascido na Zona da Mata mineira, mais precisamente no município de São João Nepomuceno (MG), Rafa Castro viveu a adolescência em Juiz de Fora (MG) e, já adulto, migrou para a cidade de São Paulo (SP).
Contudo, foi em outra região do Brasil – bem distante do circuito paulistano e da zona mineira – que o artista gerou o quarto álbum, Teletransportar, lançado em 10 de abril de 2020, três anos após o disco antecessor Fronteira (2017).
Com repertório autoral, criado em imersão do artista pelo norte do Brasil, o álbum Teletransportar nasceu em viagem do cantor, compositor e pianista – feita há cerca de dois anos com a fotógrafa e companheira Lorena Dini – pela Ilha de Marajó, no Pará.
Em uma segunda etapa da viagem, o artista foi para a Floresta Nacional dos Tapajós, também situada no Pará e cercada pelas águas de rio. Nessa floresta primária, Rafa ficou dois dias abrigado em comunidade, cercado por árvores com mais de 500 anos.
Por fim, na terceira e última etapa da viagem, houve incursão pela Amazônia, mais especificamente pelo Lago Mamori.
Capa do álbum ‘Teletransportar’, de Rafa Castro
Lorena Dini
Ao longo desse profundo mergulho em águas e terras amazônicas, Rafa Castro foi dando forma a músicas como a composição-título Teletransportar (cuja letra alude ao desastre ambiental que enlameou tanto a cidade mineira de Brumadinho como a imagem da empresa responsável pelo acidente), Cheiro de mar, Marajó, Baleia, Depois da chuva (de Rafa com Luiz Gabriel Lopes) e Cicatriz, sintetizando memórias e sensações das águas sem perder de vista as veredas dos grandes sertões enraizados na escrita do mineiro conterrâneo Guimarães Rosa (1908 – 1967), cujo conto A terceira margem do rio (1962) inspirou a criação da canção Cristalino.
Fora das águas amazônicas, Cacos de vitral é canção (de Rafa em parceria com Thomas Panza) embasada em solo urbano e cujo título alude ao nome de um romance da escritora mineira Adélia Prado para versar sobre a adaptação do artista na selva cinza de São Paulo (SP), cidade onde o disco foi gravado entre fevereiro e março de 2020, em três estúdios, com produção musical orquestrada por Rafa Castro com Igor Pimenta.
Crônica musical de viagem interior pela alma do próprio artista, o álbum Teletransportar encadeia dez músicas, sendo que nove têm letras escritas pelo próprio Rafa Castro – proeza em se tratando de compositor até então mais habituado a cuidar somente das melodias. As letras surgiram da necessidade de o artista contar e cantar no disco as memórias das águas amazônicas em que se banha o álbum Teletransportar.

Com Agências