Queiroz também se escondeu em apartamento de ex-mulher de Wassef, diz MP

Diálogos obtidos pelo Ministério Público nos celulares de parentes de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), revelam que ele e o filho também usaram um apartamento em São Paulo da empresária Maria Cristina Boner, ex-mulher do advogado Frederick Wassef. Até agora, o MP só tinha dois endereços de Wassef usados por Queiroz em 2019: o sítio em Atibaia, onde ele foi preso, e um imóvel no Guarujá.

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

As mensagens que comprovam a localização, obtidas pelo Extra, começaram a ser trocadas em 24 de novembro passado. Pouco depois da meia-noite, Queiroz avisou Márcia Aguiar, sua mulher, por Whatsapp, que estava indo “para a casa do Anjo” (codinome de Wassef, segundo as investigações). Márcia questionou: “Felipe também? Tomara que tenha boas notícias”, disse, referindo-se ao filho. Em seguida, Queiroz enviou a ela uma foto do filho num sofá branco.

Horas depois, Felipe tirou cinco fotos de si na mesma sala. Depois, as enviou para um amigo, elogiando o apartamento. Foi justamente esse movimento que indicou o endereço onde estava com o pai.

A partir das imagens, o celular registrou que os dados foram enviados da Rua Jerônimo da Veiga, no bairro Chácara Itaim, onde Maria Cristina Boner tem um apartamento, na capital paulista. À época, Queiroz e Márcia estavam apreensivos com o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiria sobre a legalidade do compartilhamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com órgãos de investigação.

A Corte se posicionou a favor do repasse de informações, o que possibilitou a retomada da investigação a respeito de Queiroz e Flávio Bolsonaro no esquema das “rachadinhas’’, de desvio de salários de assessores.

O advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defende Queiroz, disse que as perguntas deveriam ser direcionadas a Wassef. Sem contestar a titularidade do imóvel, Maria Cristina Boner Leo afirmou que mora em Brasília, não estava em São Paulo na data citada e “só vai se manifestar após ter acesso aos autos”. Wassef afirmou que nunca abrigou Queiroz ou familiares “em qualquer propriedade’’ dele ou de conhecidos.

Decisão polêmica permite saída de Queiroz da prisão

No último dia 9, o ministro João Otávio de Noronha, presidente do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), aprovou um pedido de prisão domiciliar a Fabrício Queiroz e sua esposa Márcia Aguiar.

Noronha recebeu o pedido liminar porque é responsável pelos pedidos urgentes que chegam ao STJ, já que o Judiciário está de recesso desde o último dia 8. Com isso, a decisão saiu das mãos do ministro selecionado no STJ para o caso das “rachadinhas”, Félix Fischer.

A defesa do subtenente aposentado da Polícia Militar havia solicitado a substituição da prisão preventiva dele, que está preso no Complexo de Gericinó (Bangu 8), na Zona Oeste do Rio. O advogado Paulo Emílio Catta Preta havia argumentado, ao apresentar o pedido, que o cliente é portador de câncer de cólon e corria riscos de saúde devido à pandemia da Covid-19.

O ex-assessor é investigado por participação em um esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) enquanto trabalhava no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro. Ele foi preso no dia 18 de junho através de uma ação da Polícia Civil de São Paulo em um sítio pertencente ao advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia, no interior paulista.

Com Agências