Queiroz depositou dinheiro vivo na conta da mulher de Flávio Bolsonaro para quitar parcela de apartamento de luxo

Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil em dinheiro vivo na conta da esposa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) uma semana antes de o casal pagar a primeira parcela na compra de uma cobertura na zona sul do Rio de Janeiro. As informações são do jornal Folha de S. Paulo, que teve acesso a dados da investigação conduzida pelo Ministério Público.

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Segundo o veículo, dados obtidos pelo MP apontam que o depósito, aliado a outras movimentações financeiras na conta da dentista Fernanda Bolsonaro, foi realizado exatamente para quitar o pagamento da entrada do imóvel.

Há também outro depósito em espécie de R$ 12 mil feito por uma pessoa cuja identidade é mantida em sigilo pelo MP. Queiroz é apontado pelo órgão como operador financeiro do esquema das “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele ainda era deputado estadual (2003-2018).

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, recolheria parte do salário de alguns servidores e repassaria o montante ao filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Por decisão concedida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, Queiroz deixou a prisão de Bangu 8 e atualmente está cumprindo regime domiciliar.

A investigação aponta ainda que, em agosto de 2011, movimentações na conta de Fernanda apontam que Queiroz teria depositado valores para cobrir outra despesa de R$ 110,5 mil relativa ao apartamento.

Em quatro dias, segundo a Folha de S. Paulo, as transações geraram um crédito de R4 111,7 mil na conta de Fernanda Bolsonaro.

Não é o primeiro indício de que Queiroz pagaria as despesas da família do senador. De acordo com informações do MP-RJ, o ex-assessor de Flávio teria pago a mensalidade escolares das filhas do senador em outubro de 2018.

Por meio de 63 boletos pagos em dinheiro entre 2013 e 2014, totalizando R$ 108,4 mil, Queiroz teria quitado outra despesa da família de Flávio: mensalidades do plano de saúde.

O MP apura indícios do crime de lavagem de dinheiro na compra de imóveis e na loja de chocolates que pertence ao senador. Em ambos os casos, o volume de dinheiro empregado seria maior: R$ 2,3 milhões, segundo os promotores.

Nesta quinta-feira (15), Queiroz prestou depoimento aos promotores do caso, mas o teor da fala é mantido sob sigilo. A manifestação de Queiroz acontece após 19 meses da primeira notificação enviada a ele para que falasse sobre as denúncias.

A defesa de Flávio Bolsonaro, em nota enviada à Folha, afirma que não há nenhuma ilegalidade nas contas de Fernanda e do senador. Ainda no documento, a defesa do parlamentar diz que causa “estranhamento” os vazamentos diários de informações sobre a investigação.

Paulo Catta Preta, advogado de Queiroz, afirmou que não irá se manifestar porque a manifestação ocorre sob sigilo.

Com Agências

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