PSOL protocola novo pedido de impeachment contra Crivella baseado em investigações do suposto ‘QG da Propina’

O PSOL protocolou, na manhã desta terça-feira, um novo pedido de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella na Câmara do Rio. O documento é assinado por Isabel Silva Prado Lessa, presidente do diretório municipal do partido. De acordo com o texto, que já foi entregue ao presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM), Crivella cometeu improbidade administrativa, crime de responsabilidade e desvio de verbas públicas. Caberá agora ao presidente da Casa aceitar ou não o prosseguimento. Caso aceite, a votação dos vereadores para a admissibilidade do processo acontecerá na sessão da próxima quinta-feira.

O novo pedido de cassação foi motivado pela investigação do Ministério Público do Rio (MP-RJ), que aponta que existiria na prefeitura do Rio um esquema de corrupção envolvendo o prefeito Marcelo Crivella, o empresário e lobista Rafael Ferreira Alves e dezenas de empresários de confiança. O chamado “QG da Propina” motivou uma operação do MP-RJ e da Polícia Civil, na última semana, contra Crivella e outros 22 alvos.

Na tarde desta terça, a bancada do PSOL na Câmara, em entrevista pela internet, detalhou como foi formulado o novo pedido de afastamento de Crivella.

— O caso “QG da Propina” é grave e é mais explícito que os dos “Guardiões”. A Câmara precisa abrir o processo e se ficar comprovado que o Crivella participa ele precisa ser afastado. Pouco importa se ele esta ou não no fim do mandato – se comprovado ele precisa ser retirado — destacou o vereador Tarcísio Motta.

Governistas acenam por abertura de CPI para investigar prefeito

Enquanto a bancada do PSOL definia como será formulado o pedido de impeachment, o vereador governista Jorge Manaia (PP) se adiantou e protocolou, nesta manhã, o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o “suposto QG da propina” na prefeitura. No documento, Manaia afirma que “o prefeito Marcelo Crivella, figuraria como chefe de um esquema de corrupção” e que são “inúmeras as denúncias de irregularidades que evidenciam uma estrutura criada, para resolução de problemas particulares, uma verdadeira central de negócios”.

Manaia é líder do bloco governista na Câmara e teve o apoio de 23 vereadores, superando as 17 assinaturas necessárias para a protocolação da CPI. Até mesmo parlamentares do partido de Crivella, o Republicanos, assinaram a CPI proposta por Manaia, em um movimento visto pela oposição como uma tentativa de criar uma CPI chapa-branca, composta por aliados do governo.

Cabe exclusivamente ao presidente da Câmara a decisão de instaurar CPIs — inclusive deliberar, no caso de haver duas proposições com a mesma finalidade, sobre qual CPI será levada adiante. Manaia nega que o fato de integrar a base do governo seja um sinal de que a CPI que propôs não vai investigar a fundo as supostas irregularidades e que serviria apenas para tirar o protagonismo de partidos de oposição. Crítico de Crivella, o PSOL avaliava protocolar pedido de investigação nesta terça-feira, mas optou por mais um pedido de impeachment.

— A Câmara Municipal do Rio de Janeiro não pode se manter inerte diante da gravidade das denúncias. Os responsáveis devem ser investigados bem como a possível existência de organizações que atuam nesse sentido — justificou Manaia.

A reportagem procurou Crivella através de sua assessoria de imprensa, mas o prefeito ainda não se posicionou sobre os movimentos na Câmara do Rio.

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