Primeiros anos do fundamental atingem meta, mas ensino médio, não, aponta Ideb

Segunda parte do fundamental e o ensino médio, não atingiram meta. Estudantes foram avaliados em 2019, quando as escolas ainda estavam abertas, antes da pandemia. IDEB 2019 mostra que a aprendizagem tende a cair à medida que o aluno avança na escola
Um retrato do ensino no Brasil divulgado, nesta terça (15), mostrou que a aprendizagem tende a cair à medida que o aluno vai avançando na escola. Nos exames aplicados em 2019, os primeiros anos do ensino fundamental atingiram a meta, mas a segunda parte do fundamental e o ensino médio, não.
Os estudantes foram avaliados no ano passado, quando as escolas ainda estavam abertas, antes da pandemia. O Ideb, o principal índice de educação do país, é divulgado a cada dois anos e usa como base o desempenho dos alunos em português e matemática usando as notas da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e os índices de aprovação escolar.
Em 2019, o Brasil cumpriu a meta para anos iniciais do ensino fundamental. A meta era de 5,7 e o índice geral foi de 5,9. Nos últimos sete anos, o Brasil já vinha cumprindo a meta, mas agora teve o menor avanço da série histórica, um crescimento de apenas 0,1 ponto percentual em relação a última avaliação, em 2017.
Já nos últimos anos do ensino fundamental, o Brasil também melhorou, mas não atingiu a meta. O índice geral de escolas públicas e privadas foi de 4,9. A meta era 5,2.
No ensino médio, o Ideb também melhorou. Registrou o maior aumento na série histórica. Passou de 3,8 em 2017 para 4,2 em 2019. Ainda assim não bateu a meta de cinco pontos.
O presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que o caminho é manter o que está dando certo: “A educação brasileira, ela tem dificuldades, ela tem problemas, o que a gente precisa fazer é procurar acelerar esse crescimento, procurar que essas melhorias que têm ocorrido na educação, elas sejam potencializadas”.
É o que o estado de Goiás está fazendo. O único em todo o país a atingir a meta no ensino médio, 4,8. Para o estudante Thiago Galiza, a preocupação com a qualidade do ensino faz muita diferença: “Foi fundamentalmente importante para escola ter bons resultados no Ideb. Foi justamente esse cuidado que a escola tem com os alunos. Essa preocupação que o aluno aprenda e não que ele simplesmente decore, ou que ele simplesmente receba o material e se vire para aprender”.
Já Sergipe não teve melhora na nota do ensino médio. A estudante Nataly Silva, que está no terceiro ano do ensino médio, sabe bem o porquê: “O professor às vezes quer dar aula e precisa de um projetor e não tem na escola. Às vezes faltam livros demais, falta muito livro, tem aluno que tem livro e outros não. Então, essas são as dificuldades que a gente enfrenta todo ano”.
O Ideb mostrou, ainda, que a rede pública foi a grande responsável pelo avanço da educação no país em 2019. O índice de desempenho das escolas públicas cresceu mais do que o das privadas em todas as etapas, nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e do ensino médio. Ainda assim, o resultado final das escolas privadas continua sendo superior ao das públicas.
Maria Helena, especialista em educação, comemorou os resultados do Ideb, mas disse que está preocupada com os reflexos da pandemia do coronavírus na educação e disse que o esforço tem que ser de todo país: “Para avançar rápido, nós não poderíamos ter a pandemia agora, porque obviamente a pandemia deste ano vai afetar o desempenho das escolas no ano que vem. Isso pode acelerar se houver um esforço muito grande dos estados, dos municípios e do governo federal. Tem que ser os três níveis de governo trabalhando juntos para que essas metas possam ser aceleradas”.
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