Polícia investiga se menor suspeita de matar amiga sabia de arma carregada

Polícia investiga se menor suspeita de matar amiga sabia de arma carregada

Isabele Guimarães Ramos morreu com um tiro na cabeça - iStock

Isabele Guimarães Ramos morreu com um tiro na cabeça Imagem: iStock
do UOL

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, no Recife

28/08/2020 21h58Atualizada em 03/09/2020 11h07

Um adolescente de 16 anos, namorado da suspeita de atirar contra Isabele Guimarães Ramos, 14, afirmou em depoimento que carregou a arma sem que a suposta atiradora soubesse que ele havia municiado a pistola 380. Isabele morreu atingida por um tiro na cabeça antes do socorro médico chegar ao local no dia 12 de julho, em Cuiabá (MT).

O namorado da investigada prestou dois depoimentos, sendo um no dia 14 de julho e outro na semana passada. A oitiva dele foi realizada depois que a polícia observou novos pontos a esclarecer sobre a tragédia que vitimou a menina Isabele. Ele entregou duas pistolas dentro de uma caixa à namorada, que estava indo supostamente guardar o objeto no cofre da casa quando Isabele foi atingida por um tiro e morreu.

Agora, a suspeita da polícia é que a adolescente investigada tenha acionado o gatilho da pistola para dar um tiro “a seco” em Isabele, mas acabou que a arma estava carregada e um tiro atingiu a vítima na cabeça.

Segundo a perícia, a arma que disparou contra Isabele teve o gatilho acionado e, “no ato do disparo, o agente agressor posicionou-se frontalmente em relação à vítima, sustentou a arma a uma altura de 1,44 m do piso.” A constatação entra em contradição o argumento da adolescente investigada que afirmou que a arma caiu com o case no chão, após ela se desequilibrar, e disparou sozinha.

Especialistas ouvidos pelo UOL explicam que tiro a seco ocorre quando a pessoa que está portando a arma de fogo atira sem ter munição na câmara, ou seja, quando se aperta o gatilho e a arma não está municiada.

O tiro a seco é usado em treinamento de tiro para treinar mira, empunhadura, etc, sem uso de munição na câmara. A forma é comumente usada em clubes de tiro para que os participantes não gastem, desnecessariamente, todos os disparos contratados para o treinamento.

O policial rodoviário federal Jonas Mata afirmou que se a adolescente investigada disparou contra Isabele acreditando que a arma estava sem munição ela “quebrou toda uma regra de segurança de que toda arma deve ser tratada como se sempre carregada estivesse. Não se deve nunca apontar [arma] para ninguém e, principalmente, o dedo deve ficar fora do gatilho”, explicou o especialista.

O caso

Isabele foi morta com um tiro de pistola 380, que perfurou a narina e saiu pelo crânio, na noite do dia 12 de julho, quando foi convidada pela colega, que tem 14 anos, para fazer um bolo. As meninas moravam em um condomínio de Cuiabá e Isabele costumava frequentar a casa da amiga.

Há suspeita de que a cena do crime foi modificada, pois duas testemunhas relataram, durante oitivas, que a limpeza do espaço em que o corpo estava – a suíte de um dos quartos do imóvel – era incompatível com o local de uma morte com tiro na cabeça, pois há grande derramamento de sangue.

Além disso, testemunhas relataram que a arma de onde partiu o disparo que atingiu Isabela não estava no local próximo ao corpo, e outros armamentos, que estariam em uma mesa, foram recolhidos durante a chegada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Isabele morreu antes de receber o socorro do Samu.

O pai da menor investigada fez um telefonema para o Samu afirmando que Isabele tinha levado uma queda e batido com a cabeça no chão do banheiro. Ainda na ligação telefônica, o empresário disse que a adolescente estava perdendo muito sangue, contrariando a cena que foi encontrada pelo médico neurocirurgião Wilson Guimarães Novais.

A Polícia Civil de Mato Grosso informou ao UOL hoje que as investigações caminham para a parte final da apuração da morte de Isabele e que a estimativa é de que na próxima semana o inquérito seja concluído pelos delegados que presidem as investigações.

“Todo o conjunto probatório do inquérito, que tem cinco volumes e quase 900 páginas reúne imagens de vídeo, laudos periciais produzidos (necropsia, local de crime, confronto balístico), depoimentos, relatórios de aparelhos de telefonia celular, relatório de vídeos e imagens, entre outros atos investigatórios. O laudo da reprodução simulada, realizada no último dia 18 de agosto, está em elaboração pela equipe de criminalística da Perícia Oficial do Estado”, informou a Polícia Civil.

Durante o inquérito, 24 pessoas foram ouvidas pelos delegados que realizaram oitivas. A polícia informou que após a conclusão do laudo da reprodução simulada, que está sendo produzido pela Politec, os delegados que presidem o inquérito irão analisar se serão necessários novos depoimentos. A adolescente investigada do disparo não participou da reprodução simulada. A defesa dela alegou que ela estava sem condições psicológicas de vivenciar o ocorrido.

Família investigada muda de advogado

O pai da menina investigada foi preso e indiciado por posse ilegal de arma de fogo depois que a polícia encontrou sete armas de fogo no imóvel, sendo apenas uma arma estava registrada no nome dele. O empresário pagou fiança de R$ 1.000 para responder pelo crime em liberdade provisória, mas depois o valor mudou três vezes (para R$ 209 mil, R$ 10 mil e R$ 52,5 mil), seguindo decisões da Justiça.

A família mudou de advogado para fazer a defesa do caso. O primeiro advogado a atender a família foi Rodrigo Pouso, que foi dispensado cerca de duas semanas depois de assumir o caso. Em seguida, foi contratado o advogado Ulisses Rabaneda. Em uma nota enviada ao UOL na noite de hoje, Rabaneda informou que o contrato entre as partes não foi renovado, na terça-feira (25), porque “não havia consenso em relação a algumas cláusulas contratuais.”

Agora, a defesa é feita pelo advogado Artrur Barros Freitas Osti. Em nota enviada ao UOL na noite de hoje ele afirmou que a defesa do pai e da filha “rechaça a possibilidade de ‘disparo a seco’, especialmente porque, a proximidade do encerramento do inquérito policial vem trazendo a tona inúmeros indícios que corroboram a versão defensiva apresentada no sentido de que o disparo foi involuntário”.

A reportagem telefonou para o escritório do advogado Helio Nishiyama, contratado pela família de Isabele, mas as ligações não foram atendidas na tarde de hoje.

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