O trabalho da CPI

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a compra fraudulenta dos 200 respiradores traz à luz a peça que faltava para aqueles que desejam levar adiante o processo de impeachment de Carlos Moisés da Silva e Daniela Reinehr. Apresentado na noite de terça (18), o documento aponta o indiciamento de Moisés e mais 13 pessoas, entre agentes públicos e privados. Alguma novidade no relatório? Nenhuma. Mas ao atribuir a Moisés uma série de responsabilizações acerca da polêmica aquisição dos ventiladores, os deputados acrescentam o fator opinião pública no caldo do processo de impeachment que já está em aberto. E isso logo após o STF dar sinal verde ao rito aprovado na Alesc. Está claro entre algumas lideranças que o pagamento supostamente irregular a procuradores é um tema muito jurídico, com pouco apelo popular. Para mobilizar a rua, o caso Veigamed serve.

Relâmpago – Em julho, dois PLCs foram apresentados na Alesc sobre a incorporação do Iresa – indenização por serviço ativo – ao subsídio dos militares estaduais. Poucos dias depois, foram retirados. Isso porque a proposta é privativa do Executivo. Caberá ao coronel Moisés assumir, ou não, a causa dos militares nos próximos meses.  

Sobrou para o PT

Após a saída de Saulo Sperotto (PSDB, de Caçador), e de Orildo Severgnini (MDB, de Major Vieira), a presidência da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) caiu no colo do PT. O novo mandatário, Paulo Roberto Weiss, de Rodeio, já iniciou nesta semana a agenda de trabalho em defesa das prefeituras, em meio à crise de Covid-19. Reuniu-se com o governador Moisés e pediu apoio aos prefeitos. “Nesses cinco meses, cada [prefeito] atirou para um lado, medidas que não surtiram reflexo contra o Coronavírus”, disse à coluna, ao assumir. Ainda reclamou da falta de diálogo dos governos estadual e federal.

– “Essa é uma matéria que deveria ter passado pela Casa. Não confio na inocência das pessoas. Todo mundo tem que saber o que está fazendo, faz parte da responsabilidade de assumir um cargo público”, do deputado Sargento Lima, líder do PSL na Alesc, adiantando posição sobre a equiparação salarial dos procuradores, tema do processo de impeachment.