PMs são acusados de ajudar milicianos e roubar colega de farda na Baixada

Dois policiais militares preferiram ajudar milicianos a cometer crimes do que socorrer um colega de corporação que era vítima dos paramilitares. É o que revela uma investigação da Corregedoria da PM e do Ministério Público encaminhada à Justiça no início deste mês. De acordo com o Inquérito Policial Militar (IPM), o soldado Rafael de Figueiredo Bilônia e o sargento Alexandre Bittencourt de Azevedo, ao flagrarem uma abordagem de dois milicianos a um PM e seu amigo em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, não libertaram as vítimas e prenderam os criminosos: pelo contrário, os dois agentes, de serviço e fardados na ocasião, são acusados de ajudar os milicianos a roubarem seu colega de farda.

Juntos, policiais e paramilitares levaram das vítimas uma moto Yamaha modelo XT 660, uma televisão, um notebook, um smartphone, um relógio, um revólver calibre 38 e R$ 900. No último dia 26, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros decretou a prisão dos dois PMs, que respondem pelos crimes militares de roubo, concussão e corrupção passiva. Segundo a juíza, a liberdade dos agentes poderia intimidar testemunhas: “Uma vez em liberdade, poderão os acusados tomar providências no sentido de inviabilizar a repetição das provas em sede judicial”. O soldado Bilônia se entregou na última sexta-feira. O sargento Bittencourt, atualmente na reserva, está foragido.

Os crimes — denunciados à Corregedoria pelo PM vítima dos agentes — aconteceram na madrugada de 19 de outubro de 2017. Toda a trama é detalhada no relatório do IPM, publicado no boletim interno da corporação, e nas duas denúncias do MP contra os policiais. Na ocasião, Bilônia e Bittencourt, então lotados no 20º BPM (Mesquita), chegaram, numa viatura do batalhão, ao local onde as duas vítimas haviam sido abordadas pelos milicianos. Diante da situação, os agentes algemaram o PM e seu amigo e os colocaram dentro do veículo da polícia. A partir daí, PMs e milicianos — identificados como Daniel de Oliveira Araújo, o Nem 38, e Alexandra Oliveira, o Guaxa — passam a negociar a liberação dos dois detidos.

Sargento Alexandre Bittencourt está foragido

Sargento Alexandre Bittencourt está foragido Foto: Reprodução

Inicialmente, todos se dirigiram até a casa de um parentes do amigo do PM, onde policiais e milicianos fizeram buscas e encontraram um revólver calibre 38. De posse da arma, o sargento, o soldado e os dois paramilitares passaram a exigir R$ 20 mil das vítimas. Se o valor não fosse pago, o PM e o amigo seriam levados à delegacia.

O amigo do PM alegou que não tinha a quantia. O policial que era vítima da extorsão, então, entrou na negociação e ofereceu sua moto em troca da liberação. Mesmo após a entrega do veículo, os agentes não se deram por satisfeitos: foram a outra endereço do amigo do PM e roubaram, segundo a denúncia do MP, aparelhos eletroeletrônicos, um relógio e cerca de R$ 900.

GPS flagrou agentes

Em depoimento, os dois PMs negaram ter ido até a casa de uma das vítimas — onde o roubo teria acontecido. No entanto, os relatos foram desmentidos pelo GPS da viatura que os dois usavam naquela madrugada. Segundo relatório da Subsecretaria de Comando e Controle da PM, o carro “permaneceu no local de 05h01m até 05h32m” no dia dos crimes.

A investigação também concluiu que o PM que entregou sua moto aos colegas de farda para ser liberado tentou recuperar, de forma fraudulenta, o veículo. Em depoimento à Corregedoria, um homem que havia vendido o veículo ao agente afirmou “que fora persuadido a realizar uma falsa comunicação de crime informado que a moto teria sido roubada”. O registro foi feito na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). Atualmente, os três PMs — acusados e vítima — respondem a Conselho de Disciplina e podem ser expulsos da corporação.

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