PF descobre mensagem de blogueiro para ajudante de ordens do presidente Bolsonaro

Apuração faz parte do inquérito sobre financiamento a atos antidemocráticos. O blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito, escreveu mensagem para o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid sugerindo a necessidade de uma intervenção militar PF descobre mensagem de blogueiro para ajudante de ordens do presidente Bolsonaro
As apurações sobre o financiamento de manifestações com pedidos antidemocráticos encontraram mensagens do blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito, para o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ajudante de ordens do presidente Bolsonaro.
As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmadas pela TV Globo. A informação consta no depoimento do tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid.
Segundo o depoimento, no dia 20 de abril, Allan dos Santos escreveu uma mensagem ao tenente-coronel sugerindo a necessidade de uma intervenção militar. A reposta foi: “Já te ligo.” Questionado no depoimento, o ajudante de ordens disse que “acredita que não fez a ligação”.
No dia 31 de maio, em outra mensagem, o blogueiro envia um link com reportagem sobre grupos denominados “antifas”. No dia seguinte, o declarante, o ajudante de ordens do presidente, responde afirmando: “Grupos guerrilheiros terroristas, estamos voltando para 68, mas, agora, com apoio da mídia.”
Allan dos Santos afirma: “As Forças Armadas precisam entrar urgentemente”. O declarante responde: “Opa!”.
Indagado sobre o sentido da resposta, “Opa!”, desse diálogo, respondeu que a expressão “Opa!” não está relacionada com as mensagens anteriores, mas apenas uma saudação, como por exemplo, bom dia.
No outro trecho do depoimento, o tenente-coronel foi indagado sobre o chamado “Gabinete do ódio”. Disse que conhece esse termo pela mídia e afirma que esse “Gabinete do ódio” não existe.
Indagado sobre a opinião do declarante sobre a conduta de Allan dos Santos no contexto político, em relação às instituições do Estado, respondeu que como jornalista ele tem uma visão mais radical da conjuntura política brasileira
Em um outro trecho do depoimento, a delegada pergunta ao ajudante de ordens se ele já manifestou a ideia de que as Forças Armadas são um poder moderador. Ele afirmou que não.
O depoimento não permite inferir se o ajudante de ordens chegou a tomar providências a partir do recebimento das mensagens, mas que apenas informou o presidente Bolsonaro de algumas das mensagens recebidas.
O Palácio do Planalto não quis se manifestar sobre as investigações.