Peugeot 208 passa por teste de 900 km em estrada aberta e pista fechada

Peugeot 208 Griffe estacionado no acesso à fábrica da montadora francesa em Porto Real, Rio de Janeiro

Após pressionar o botão de partida, o novo Peugeot 208 se apressa em revelar o painel em 3D. O visor será o companheiro nos próximos 903 quilômetros, distância total percorrida neste teste Folha-Mauá.

O velocímetro digital aparece em destaque, e as outras ficam em segundo plano. O segredo está em pequeno projetor, que exibe suas imagens em uma tela transparente. A tecnologia está disponível a partir da versão Allure, que custa R$ 89,5 mil.

A versão mais em conta chama-se Active e é anunciada por R$ 75 mil. Seu painel é tradicional, com ponteiros analógicos combinados a um visor digital. Os principais itens de série são o câmbio automático de seis marchas e a central multimídia com Apple Carplay e Android Auto.

Há também rodas de liga leve aro 16, ar-condicionado e quatro airbags.

Passada a fase de encantamento com a novidade, vem a dureza dos fatos. O Peugeot mais inovador já feito na América do Sul preserva o motor 1.6 flex (118 cv) sob o capô, cuja aplicação na linha remonta ao 206 ano 2001.

Os números do teste Folha-Mauá mostram que o desempenho se equipara ao das versões 1.5 de Honda Fit e Toyota Yaris, mas não dá para acompanhar o ritmo do turbinado Volkswagen Polo 1.0 TSI. Esses três hatches são, na visão da marca francesa, os principais concorrentes do novo 208.

Para roubar clientes dessa turma, a Peugeot oferece tecnologia, acabamento mais refinado e um pacote de segurança que, na versão testada Griffe (R$ 95 mil) traz sistema de frenagem automática de emergência e leitor de faixa que avisa caso o motorista invada a pista ao lado.

Outra parte da estratégia é a valorização do bem. A marca francesa promete pagar 100% da tabela Fipe na recompra, desde que o cliente opte por um plano de fidelização com entrada a partir de R$ 35 mil.

O financiamento é feito em 30 prestações e há um residual a ser pago no fim. O comprador pode fazer um novo parcelamento, quitar a dívida à vista ou amortizar o valor na troca por um modelo novo.

Na primeira parte do teste, rumo ao Instituto Mauá de Tecnologia, vê-se o painel exibir a velocidade máxima permitida no trecho. Há um leitor de placas, que reconhece os números e evita que o motorista acelere além do permitido.

Depois das medições de consumo feitas na região do ABC e do teste de desempenho na pista da SKF, em Limeira (interior de São Paulo), o 208 parte para sua principal missão: uma ida até a fábrica do grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ).

O dia está nublado, o que permite recolher o forro do teto envidraçado sem passar calor na Rodovia Presidente Dutra. O acionamento é manual e exige braço longo para uma abertura completa.

Teto panorâmico do Peugeot 208 tem forro com acionamento manual (Divulgação)

Três fatores contribuem para uma viagem confortável: o banco de espuma macia, a direção elétrica e a suspensão que não sofre ao passar por asfalto ruim. Porém, nenhum desses pontos remete à esportividade.

Quem conhece a rigidez de antigos modelos Peugeot pode estranhar a suavidade ao rodar, mas a proposta de agora é fazer um carro para o grande público. Segundo as pesquisas da marca francesa, a possível clientela está mais preocupada com tecnologias e comodidades do que ansiosa por bater recordes de aceleração.

O que há de mais esportivo no carro é a posição de dirigir no que a Peugeot chama de i-Cockpit. O condutor vê o painel por cima do volante, e não através de seu aro. É uma herança da geração anterior aproveitada em um carro totalmente novo, construído sobre a plataforma CMP.

Já perto da divisa dos estados de São Paulo e do Rio, o motorista de um Peugeot 208 “antigo” pisca os faróis e faz um sinal de positivo. Os carros têm alguma semelhança, porém, o modelo novo é mais chamativo.

As luzes diurnas em LED têm uma extensão no para-choque. A ideia é remeter às presas de um leão. Há também um toque retrô: o número/nome 208 aparece junto ao capô, como em modelos da marca francesa vendidos nos anos 1970.

Apesar da idade, o motor 1.6 flex se encaixa bem no compacto francês. Entretanto, um pouco mais de força nas retomadas cairia bem. Quem já conhece o torque disponível nos motores turbo irá reclamar.

Após três horas e meia de viagem, o Peugeot é estacionado em frente à placa que indica a entrada da fábrica de Porto Real. É apenas uma visita rápida aos irmãos brasileiros –o novo 208 é produzido na Argentina.

Feitas as honras, chega a hora de encarar o caminho de volta.

O trecho noturno da viagem serve para conhecer o farol alto automático, outra exclusividade da versão Griffe. O sistema abaixa o facho das lâmpadas de LED para evitar o ofuscamento de quem segue na frente ou na pista contrária.

Tela do sistema multimídia do novo Peugeot 208 (Divulgação)

De volta à garagem, começa a parte final da avaliação. É o momento de pular para o banco traseiro e ver o espaço disponível neste novo 208.

Quem precisa de um carro para a família vai se decepcionar. O vão para as pernas é limitado na segunda fileira, inferior ao disponível nos principais concorrentes. O porta-malas também não é dos maiores: tem 265 litros de capacidade.

Diante das limitações de espaço, é fácil concluir que o 208 tem proposta mais urbana, algo que será reforçado quando a opção com motor elétrico for lançada. A estreia será no início de 2021, e o preço deve ficar entre R$ 170 mil e R$ 200 mil.

Peugeot 208 Griffe
Preço R$ 95 mil
Motor dianteiro, transversal, flex, três cilindros, 1.587 cm³
Potência 118 cv (e) e 115 cv (g) a 5.750 rpm
Torque 15,2 kgfm a 4.000 rpm
Transmissão tração dianteira, câmbio automático de seis marchas
Peso 1.178 quilos
Porta-malas 265 litros
Pneus 195/55 R16
Aceleração (0 a 100 km/h) 12s (e) e 13,4s (g)
Retomada (80 a 120 km/h) 8,7s (e) e 10,3s (g)
Consumo urbano 7,1 km/l (e) e 10,8 km/l (g)
Consumo rodoviário 12,7 km/l (e) e 15,3 km/l (g)
Comprimento 4,06 metros
Entre-eixos 2,54 metros
Largura 1,74 metro
Altura 1,45 metro

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