Osaka começa US Open firme na quadra e nas mensagens antirracistas

The New York Times

Depois de duas partidas no US Open, Naomi Osaka vem se mantendo firme em sua mensagem.

A tenista japonesa, campeã do torneio em 2018, se reafirmou como favorita na parte de cima da chave de simples feminina do torneio, com uma vitória dominante por 6/1, 6/2 sobre a italiana Camila Giorgi, em 70 minutos na noite desta quarta-feira (2).

Osaka, cabeça de chave número quatro, avançou em um dia no qual muitas outras das cabeças de chave em sua chave do torneio tropeçaram, como a número 1, Karolina Pliskova, a número 12, Marketa Vondrousova, e a número 13, Alison Riske.

Depois da eliminação de Pliskova, Osaka é a única jogadora entre as 10 primeiras do ranking de simples da Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês) a se manter no torneio, de seu lado da chave.

Seis jogadoras do top 10, ente as quais a líder do ranking, Ashleigh Barty, e a segunda colocada, Simona Halep, optaram por não participar do torneio deste ano.

Osaka jogou com a perna esquerda protegida por uma bandagem espessa, mas não parecia estar limitada em sua movimentação, a despeito de admitir que a lesão no tendão que a forçou a abandonar a final do Western & Southern Open, no sábado, não estava sendo curada com a rapidez esperada.

“Minha sensação é a de que sou aquela jogadora que quer que os outros não percebam que ela está sofrendo dor”, disse Osaka em entrevista à ESPN depois da partida.

A firmeza de Osaka apesar de seus problemas físicos é complementada pela sua firmeza em destacar a violência policial contra os negros.

Ela encontrou sua voz nessa campanha, nos últimos meses, o que a levou a provocar uma paralisação de um dia no Western & Southern Open, na semana passada, atraindo elogios de muita gente no esporte e chocando diversas das demais jogadoras que permaneceram na disputa.

“Não tenho a sensação de estar sendo corajosa. Só sinto que estou fazendo o que deve ser feito”, disse Osaka na semana passada. “Assim, honestamente, quando as pessoas usam o termo ‘corajosa’ ou algo assim, não é algo que soe bem para mim. Só estou fazendo o que devo fazer em um momento como este.”

Osaka vem usando a máscara que tem de colocar antes e depois das partidas para honrar as vítimas da violência policial.

Na segunda-feira foi Breonna Taylor, 26, trabalhadora do setor de saúde morta pela polícia em Louisville, Kentucky, em março. Na noite de quarta-feira foi Elijah McClain, 23, que morreu no ano passado dias depois de ser agredido por policiais em Aurora, Colorado, que usaram uma manobra ilegal de imobilização pelo pescoço.

Em comentários à mídia noticiosa japonesa durante sua entrevista coletiva, na noite de quarta-feira, ela explicou que desejava levar o que alguns veem como uma questão dos Estados Unidos à audiência de todo o planeta.

“O mais importante que tenho a ganhar por as audiências internacionais estarem assistindo é que elas procurem os nomes no Google, pesquisem a história, descubram exatamente o que está acontecendo”, disse Osaka. “O racismo não é só uma questão americana, ele existe no mundo todo. E afeta as pessoas a cada dia.”

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Naomi Osaka após vitória na segunda rodada do US Open
Robert Deutsch/USA TODAY Sports

Ainda que os tenistas venham sendo encorajados por seus treinadores e alguns colegas a manterem o silêncio sobre questões políticas e sociais, a postura cada vez mais politizada de Osaka tem o apoio tanto de seu agente, Stuart Duguid, quando de seu treinador, Wim Fissette.

Fissette disse que a despeito de sua presença forte na mídia social e empreendimentos comerciais, a atenção de Osaka “esteve voltada 100% ao tênis”, em seus períodos de treinamento durante o ano. Ele admira a capacidade dela de alterar seu estilo, de uma personalidade calma e relaxada a uma intensidade repleta de determinação, nas sessões de treino.

“Quando ela entra na quadra, é completamente perfeccionista”, disse Fissette. “Ela é uma supercampeã. É muito, muito diferente.”

Fissette também percebe a determinação e confiança de Osaka na maneira pela qual ela enfrenta situações em quadra.

“Ela não tem dúvida de que manterá seu serviço o set inteiro”, ele disse. “Confia muito em sua força, confia muito em si mesma.”

Os administradores da carreira de Osaka se asseguram de que suas atividades de mídia e para os patrocinadores aconteçam em blocos separados de seus treinos de tênis. Neste ano, a revista Forbes a classificou como a tenista mais bem paga do planeta, pela primeira vez, superando a jogadora que sempre lhe serviu de modelo, Serena Williams.

Osaka disse ter reparado que suas colegas mudaram a percepção sobre ela, nas últimas semanas.

“Eu sei que sou esquisita, claro”, disse Osaka. “Isso é um fato. E as pessoas sempre me olharam de um jeito diferente. Agora elas estão só olhando. A sensação é outra.”

E não deixarão de olhar, pelo menos não por muito tempo. Sabendo disso, Osaka, que enfrentará a ucraniana Marta Kosyuk, 18, na terceira rodada, sexta-feira, entrará em quadra com outro nome escrito em sua máscara, outra história para contar.

Tradução de Paulo Migliacci



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