Oposição pede novo impeachment de Crivella na Câmara do Rio

Cerca de duas semanas após a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro ter rejeitado o pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), o PSOL anunciou, na manhã desta terça-feira, 15, que vai ingressar com um novo pedido de afastamento do mandatário.

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e foi alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada na esteira da segunda fase da Operação Hades, desencadeada em conjunto pelo Ministério Público do Rio e pela Polícia Civil. As investigações apontaram para um suposto esquema de propinas que envolve dezenas de secretarias do município, afirma o MP.

Em nota, o partido de oposição aponta que “o prefeito cometeu improbidade administrativa, crime de responsabilidade e desviou verbas públicas”.

O MP do Rio segue investigando o prefeito e uma rede de pessoas do entorno da Prefeitura do Rio. Mesmo sem cargo, o empresário Rafael Alves tinha forte influência na gestão de Marcelo Crivella, com direito a uma sala na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, identificada pelos promotores como “QG da propina” de um esquema de corrupção com consentimento do prefeito. No local, funciona ainda a Empresa Municipal de Turismo (RioTur), que teve como presidente o irmão de Rafael, Marcelo Alves.

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Os investigadores chegaram a interceptar uma mensagem em que Alves e ex-senador Eduardo Lopes, apontado como articulador político da Igreja Universal do Reino de Deus e que não mantinha cargo na Prefeitura do Rio, discutem o rateio das propinas com base em um contrato de 210 milhões de reais com o Grupo Assim Saúde.

“A mensagem em tela tem início com a seguinte e sintomática frase: ‘DEPOIS VAMOS APAGAR’. Percebe-se, portanto, que o assunto tratado em seguida deveria ser mantido na clandestinidade, não deixando qualquer tipo de rastro. E a razão para tal postura é bastante simples, pois, de fato, o remetente da mensagem – EDUARDO LOPES – despe-se de qualquer freio inibitório e fala abertamente sobre a forma de divisão da propina que seria paga pelo Grupo Assim Saúde”, escreveu o promotor do caso.

No último dia 3, Crivella conseguiu enterrar outro pedido, que se baseava no caso que ficou conhecido como “Guardiões do Crivella”, revelado pela TV Globo. Servidores nomeados pelo gabinete do prefeito e pagos com dinheiro público ficavam na porta de hospitais tentando impedir a realização de reportagens que tratassem da saúde no município. O processo foi arquivado em votação apertada: foram 25 votos contra 23.

Crivella já teve mais um pedido de impeachment rejeitado em votação na casa em junho de 2019. Segundo o relatório da comissão de impeachment na época, houve erros cometidos por servidores na renovação de contratos com empresas que administravam anúncios no mobiliário urbano. Com a suspensão dos acordos, a prefeitura teria que devolver 68 milhões de reais, valor que tinha sido adiantado às empresas.

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O prefeito, que também concorre à reeleição municipal, nega qualquer tipo de irregularidades. As defesas dos demais citados não foram localizadas ou não retornaram os contatos da reportagem.

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