Friday, 14 August, 2020

JORNAL TIJUCAS

Operação do Ministério Público mira PMs e demais integrantes de milícia que explora serviço de mototáxis na Zona Oeste


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagrou, nesta quinta-feira, a operação Gogue Magogue, para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão contra 14 policiais militares e oito civis suspeitos de integrar uma milícia. O grupo paramilitar age na comunidade Asa Branca, situada na grande Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital. Até as 9h, sete pessoas haviam presas – entre elas quatro PMs alvos da operação.

Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra o segundo sargento do 22º BPM (Maré) Jorge Henrique da Silva, o Dô, e o também sargento Adelmo da Silva Guerini Fernandes, lotado no 21º BPM (São João de Meriti). Adelmo foi preso num condomínio em Jacarepaguá. Os dois são apontados como chefes da milícia.

Outros quatro alvos do MP são o terceiro sargento Nielsen da Silva Barbosa; o subtenente Francisco Santos de Melo; o cabo Leonardo de Oliveira Pelussi e o segundo sargento Marcos Paulo Custodio Alves. Todos eles fazem parte do quadro do 18º BPM (Jacarepaguá). Nielsen e Leonardo já estão presos.

Além desses seis PMs, outros oito, que eram lotados no 18º BPM, foram alvos de mandados de busca e apreensão. Segundo o MP, os agentes foram flagrados em conversas suspeitas com integrantes da organização criminosa. Assim, na operação desta quinta foram realizadas ações de busca e apreensão nas seguintes unidades da Polícia Militar: 5º BPM (Praça da Harmonia), 14º BPM (Bangu), 18º BPM, 21º BPM, 22º BPM e Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Dona Marta.

Mandados contra civis

Na operação foram cumpridos ainda oito mandados de busca e apreensão contra civis que, de acordo com o MP, foram denunciados por participarem do bando: Moisés Ubiratan Lopes Peres; Luís César Lima Napoli, o PC; Antônio Marcos Santos Silva, o Marquinho, que está foragido da Justiça; Marilena Nascimento Faria; Carlos Renato Nascimento Faria, o Renatinho; Cristiano Pereira Gomes; Ygor Rodrigues Santos da Cruz; e Kleber Farias de Oliveira Carneiro.

Essas pessoas seriam responsáveis por gerenciar os pontos de mototáxi, repassar propinas a policiais do 18º BPM e do 31º BPM e emitir de alertas sobre operações policiais, além de toda a manutenção técnica e cobrança pelos serviços clandestinos oferecidos pela milícia.

Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em um imóvel supostamente utilizado como central clandestina de TV a cabo, conhecida como “gatonet”. Os alvos da quadrilha são suspeitos dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e concussão.

Os mandados da operação desta quinta-feira foram expedidos pela Auditoria de Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, no caso dos policiais militares, e pela 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital, no caso dos denunciados civis.

A operação tem o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público, da Corregedoria-Geral da Polícia Militar (PMERJ) e de técnicos da Anatel.

Exploração de mototaxistas

De acordo com o MP, a quadrilha atua principalmente na exploração ilícita de pontos de mototáxi, mas é responsável também por crimes como exploração e comercialização de sinais clandestinos de televisão a cabo e venda de cigarros ilegais. A investigação aponta que os PMs recebem propinas para fornecerem informações privilegiadas sobre operações policiais na região e para garantir a livre circulação dos mototaxistas do bando nas áreas de fiscalização do 18º BPM (Jacarepaguá) e do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes). Os agentes fariam vista grossa para irregularidades de trânsito.

Quando abordados pela polícia, os mototaxistas fazem contato com integrantes da milícia e são liberados, informou o MP. Segundo a investigação, é comum os próprios policiais militares presentes na operação assumirem a ligação para confirmarem diretamente com o comparsa se o mototaxista detido é, de fato, parceiro do grupo criminoso.

São características da quadrilha a violência e as ameaças contra as pessoas que atrapalhem seus interesses. Telefonemas interceptados revelam que os mototaxistas que deixavam de pagar as taxas impostas pelos milicianos eram sumariamente banidos da região, ameaçados, agredidos fisicamente, ou tinham suas motocicletas “confiscadas” pelo bando.

A denúncia apresentada pelo MP aponta ainda indícios de outros crimes que seriam praticados pelo grupo paramilitar como invasão de propriedade, grilagem de terras, exploração sexual de menores e lesões corporais contra membros da própria organização criminosa que cometessem erros ou desobedecessem a ordens de superiores.

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