Onze candidatos a prefeito do Recife participam de debate promovido pela UFPE; veja propostas


Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) promoveu, na noite desta segunda (28), debate com todos os candidatos, pela internet. Candidatos à prefeitura do Recife participaram de debate no Recife
Reprodução/YouTube
Os 11 candidatos à prefeitura do Recife participaram, na noite desta segunda-feira (28), de um debate promovido por estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O encontro foi idealizado por alunos da disciplina de administração de políticas públicas, do curso de administração, na capital pernambucana.
Veja quem são os candidatos a prefeito do Recife
Mediado pela professora Brunna Carvalho, docente da disciplina e pró-reitora de Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (Progepe), o debate foi transmitido pela internet. Durante o encontro, os postulantes apresentaram propostas sobre temas como saneamento básico, mobilidade, saúde e violência.
O debate contou com a presença de Carlos (PSL), Charbel (Novo), Cláudia Ribeiro (PSTU), Coronel Alberto Feitosa (PSC), Delegada Patrícia (Podemos), João Campos (PSB), Marco Aurélio (PRTB), Marília Arraes (PT), Mendonça Filho (DEM) e Thiago Santos (UP) e Victor Assis (PCO).
O debate foi dividido em quatro blocos:
1º bloco: candidatos respondem a perguntas de estudantes da UFPE.
2º bloco: candidatos respondem a perguntas de professores e técnicos administrativos da UFPE.
3º bloco: candidatos fazem considerações finais.
No primeiro bloco do debate, os candidatos tiveram quatro minutos para responder a perguntas feitas por estudantes da universidade. Os nomes dos candidatos foram sorteados aleatoriamente e as quatro primeiras questões foram respondidas, cada, por dois candidatos. O quinto questionamento foi direcionado a três candidatos.
A primeira pergunta, direcionada a Victor Assis e a Mendonça Filho, foi sobre a melhoria da sensação de insegurança nas periferias, para facilitar o acesso de pessoas que moram nas comunidades ao transporte por aplicativo.
Victor Assis: “O PCO não está na campanha para ficar fazendo demagogia, vendendo ilusão, estamos aqui para explicar que para a gente conseguir qualquer coisa, até mesmo calçar uma rua, iluminação pública, é preciso mobilização contra a direita. É preciso derrubar todos os golpistas. É preciso fora Bolsonaro, eleições gerais. […] O que a gente precisa é organizar os trabalhadores nos bairros para, em comitês populares, conseguir tudo aquilo que precisam. Não tem máscara não tem testes. Não tem remédio na periferia, nos bairros populares. Temos que formar conselhos populares contra a pandemia e contra toda sabotagem da direita, que não investe minimamente nos interesses da população, para ficar desviando dinheiro para os bancos, os bancos dos banqueiros. O governo Bolsonaro deu R$ 1,2 trilhão para os banqueiros, enquanto, até agora, todo auxílio emergencial que foi pago fica em torno de R$ 400 milhões. E eu estou sendo até bastante generoso aqui com a quantidade”.
Mendonça Filho: “Recife, hoje, infelizmente, é uma cidade que parou no tempo, que vai muito mal para as políticas públicas. Eu destacaria justamente essa questão das áreas mais elevadas da cidade, os morros, onde o transporte público, infelizmente, não consegue chegar com qualidade. A rigor, o transporte público do Recife foi sucateado ao longo dos últimos anos, nos governos do PSB e do PT. Mesmo o que avançou, como, por exemplo, a implantação do BRT, os governos do PSB já anunciaram que estariam desativando e retirando de circulação, brevemente, os ônibus articulados. Não há investimento efetivo para garantir à população o transporte público de qualidade. Esse é o quadro geral que se tem hoje na cidade do Recife com relação a transporte público. E o próprio entendimento é ampliar o investimento no sistema viário, que tem vários gargalos em termos de estrutura de transportes na nossa cidade. E a gente precisa, também, assegurar a utilidade da implantação do BRT”.
A segunda pergunta, direcionada a Charbel e a João Campos, foi sobre o novo marco legal do saneamento básico, sancionado com vetos por Bolsonaro, em julho. A nova lei pretende ampliar a presença do setor privado na área. No Brasil, o serviço é prestado majoritariamente por empresas públicas estaduais.
Charbel: “Uma das minhas propostas é abrir uma nova licitação. A empresa vencedora terá que cumprir um prazo de entregar 90% da cidade com coleta e tratamento de esgoto, com água tratada, até 2030. Esse será o nosso compromisso, até 2030, porque o novo Marco fala de 2033, mas nós vimos o Recife acabado, sem saneamento básico e esgoto. Quase 60% da população vive no esgoto, na lama, quem entra em comunidade vê isso. Temos políticos, deputados de Pernambuco, que votaram contra esse marco desse saneamento. Deputados que não entenderam a necessidade da população. E a população tem visto isso. As pessoas não aguentam mais. É questão de dignidade da pessoa humana. E sem esgoto, sem água tratada, não tem como. A gente vai a comunidades, as pessoas não têm água no cano. Ficam sem água para beber, para tomar banho, sem água tratada. Quando têm, a Compesa falha. São cinco, seis, dez dias sem água. A Compesa é um verdadeiro desastre”.
João Campos: “Vamos lançar um escritório de parceria entre a prefeitura do Recife e a universidade, para que a gente possa fazer um estoque de projetos, para pegar os alunos de engenharia que têm interesse em contribuir para a nossa cidade. A prefeitura poder repassar para universidade essas demandas. Os alunos e os professores acadêmicos, numa disciplina de saneamento básico, por exemplo, podem fazer um projeto que vai ser utilizado numa rua vizinha à universidade, que ainda não tem saneamento, porque isso vai dar um sentimento de pertencimento importante para o aluno. A gente vai poder unir o corpo acadêmico, os alunos, em torno dos desafios da cidade, que, eu repito, não são poucos. São muitos. Nós já avançamos muito, mas temos muito ainda por fazer na área de morro, que representa 70% do território da cidade e que mais de um terço da nossa população mora nessas áreas”.
A terceira pergunta do debate foi direcionada a Marília Arraes e Cláudia Ribeiro. Um estudante questionou as duas candidatas sobre uma proposta para resolver os problemas de mobilidade e de transporte público.
Marília Arraes: “Não se pode continuar nessa lógica ultrapassada de priorizar o carro em detrimento do que utiliza a maioria: o transporte coletivo e o não motorizado. Tem gente que não pode pagar para usar o transporte coletivo e usa a bicicleta, anda a pé. Então, nós vamos criar um fundo municipal para que haja investimentos em alternativas a esses transportes e determinar que haja uma cota fixa de 50% no valor das multas e arrecadações executados pela CTTU, para que sejam revertidos em obras e investimentos em segurança viária. Em 2019, cerca de R$ 98 milhões foram arrecadados em multas de trânsito. A multa não pode ser uma política de arrecadação municipal, como tem sido feito no Recife. Nosso governo também vai criar o Observatório da Mobilidade, para analisar, estudar diferentes questões ligadas ao trânsito. A gente ainda vai ampliar os trechos de faixa azul e também de ciclofaixas”.
Cláudia Ribeiro: “A quem pertence o direito de ir e vir e o transporte coletivo? Aos grandes empresários. É um debate que exemplifica o que é a privatização dos serviços fundamentais, que é o direito de as pessoas andarem, se moverem na cidade. O direito de ir e vir foi privatizado para os grandes empresários, que lucram às custas de uma passagem altíssima, que aumenta todos os anos, inclusive empobrecendo ainda mais a população que mais precisa. Inclusive, no período de isolamento social, os empresários diminuíram a frota, não só para lucrar em cima das pessoas. Em um momento extremamente crítico, colocaram as pessoas numa situação de maior contágio. E antes de qualquer coisa, gostaríamos de deixar registrado o nosso total apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores do Sindicato dos Rodoviários. Em um momento como esse, em uma grave crise sanitária e financeira, os empresários estão demitindo”.
Na quarta pergunta, foi a vez de Carlos e de Marco Aurélio responderem aos questionamentos dos estudantes. Eles foram perguntados sobre políticas públicas para diminuir o impacto da pandemia na vida de pessoas em situação de rua.
Carlos: “[…] a gente tem que atuar junto às entidades financeiras para terminar [construções de habitacionais]. Uma outra forma também é trazer a comunidade para perto, onde for possível, onde tiver casas sem a devida a devida formatação. Vamos poder fazer casas de alvenaria, com ajuda da população. A prefeitura vai entrar com a mão de obra especializada, com os equipamentos, e a comunidade vai ajudar. Exatamente essa união entre comunidade e poder público que vai resolver os problemas da nossa cidade. Outra questão que foi envolvido na mesma pergunta é a questão relativa à saúde. Hoje, temos no Recife cerca de 250 unidades de saúde, entre, policlínicas, maternidades, upinhas, hospitais, Unidades de Saúde da Família. Essas unidades não têm humanização, as pessoas são atendidas com frieza. Nó vamos investir pesadamente na teletriagem e teleatendimento, fazendo com que a pessoa não precise mais ir para a unidade de saúde”.
Marco Aurélio: “[…] O que nós já falávamos desde 2019 era que a saúde estava completamente abandonada. As pessoas sendo tratados de forma desumana e é justamente isso que veio a Covid e acaba de mostrar essa máscara, que não caía, mas caiu, mostrando essa grande deficiência, a forma desumana como todos os recifenses, que precisam do sistema de saúde pública, são tratados. A mais ainda. Aqueles que ficam nas ruas, muitas vezes não somente por causa da questão da Covid, muito antes disso. Essas pessoas estavam expostas, estão expostas, e não há nada que seja feito por elas. Então, é preciso cuidar dessas pessoas, colocar essas pessoas em abrigos onde, à noite, elas possam se dirigir aos abrigos, que funcionem a noite toda e a madrugada, até de manhã. Onde elas possam ter uma toalha, tomar banho e pelo menos dormir com dignidade. Para que, durante o dia, ela possa procurar se virar, como todo brasileiro deve”.
A quinta e última pergunta do primeiro bloco foi sobre políticas públicas para fazer com que a gestão de comunicação e publicidade na prefeitura seja feita com o mínimo possível de recursos. Responderam, respectivamente, Alberto Feitosa, Thiago Santos e Delegada Patrícia.
Alberto Feitosa: “A gente tem que fazer planejamento, gestão. Tem que usar de inteligência e respeitar os meios de comunicação. Eu tenho conversado com muitos jornalistas e blogueiros. Há uma verdadeira tentativa de intimidação desses profissionais, que são ameaçados se não seguir a pauta do governo, da prefeitura da cidade, do governo do estado. Eu vou tratar o profissional de comunicação com muito respeito, fazer um planejamento, dividir isso pela por emissoras e por blogueiros e fazer uma comunicação antenada com a sociedade, fazendo muita política educacional nas áreas da saúde, meio ambiente, do trato dos animais, do respeito ao idoso, do respeito à mulher. Divulgando aquilo que é real e ouvindo e respeitando as pessoas, dialogando. Eu tenho respeitando e atraído também muito a academia para esse trabalho. É isso que nós vamos fazer como prefeito da cidade do Recife”.
Thiago Santos: “Nós temos muitos problemas que a cidade precisa ver resolvidos, mas nada disso pode ser resolvido, se o povo do Recife, o povo pobre, o povo carente, humilde, não se organizar, não se mobilizar e não lutar para defender os seus direitos. Devemos, em termos de propaganda institucional na gestão do poder popular, conscientizar a população sobre os seus direitos, sobre como se defender da exploração capitalista e chamar a população para participar da gestão. Nós defendemos a construção do poder popular do povo pobre, explorado, oprimido. A dona de casa tem que carregar água porque não tem saneamento de qualidade nem fornecimento de água em todas as casas da cidade do Recife. O trabalhador desempregado. Os estudantes que andam no transporte público de péssima qualidade, com o maior tempo de espera do Brasil, com o péssimo fornecimento de transporte e a passagem cara que a gente paga no transporte municipal”.
Delegada Patrícia: “O gasto com publicidade aumenta à medida que a gestão piora, porque a gestão precisa fazer uma propaganda para iludir a população e maquiar as terríveis condições de desumanidade nas quais a população se encontra. Hoje, o que nós vemos é uma autopropaganda do prefeito. Ele está promovendo a gestão dele, o próprio nome, está abrindo as portas e o que acontece é que a população sofre sem condições de dignidade. Imagina o que daria para fazer só com que a gente apurou em 2019, com R$ 68 milhões de benefício da comunidade?. Para quem não sabe, existem mais de 30 bairros do Recife que não têm creche. Será que com R$ 69 milhões dava para construir mais creches, dava para fazer mais exames, será que o dinheiro público, que não é público, é bom fazer essa observação, o dinheiro público é meu, é de Bruna, é de Mariana, é de todos nós que estamos aqui. O dinheiro público é nosso e não pode ser jorrado em autopromoção de prefeito”.
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