ONGs denunciam torturas contra opositores de Lukashenko em Belarus


Os testemunhos descrevem humilhações, como ficar nu de joelhos no chão, e golpes, algumas vezes até a perda da consciência. Manifestantes protestam contra reeleição do presidente de Belarus. Cores vermelha e branca representam a oposição ao governo no dia 6 de setembro
Associated Press
Uma ONG bielorrussa recolheu testemunhos de vítimas da repressão em Belarus que mencionam prisões arbitrárias, humilhações e espancamentos durante a detenção. A Human Right Watch (HRW) também denuncia casos de violência e a Organização mundial contra a tortura (OMCT) fala de crimes contra a humanidade.
A ONG bielorrussa de defesa dos direitos humanos Viasna, uma das raras a trabalhar em Belarus, recolheu os testemunhos das vítimas. Suas histórias são parecidas: uma prisão arbitrária pela polícia, seguida de apreensão de documentos pessoais e transferência em centros de detenção. Depois disso, as primeiras humilhações, como ficar nu de joelhos no chão, e os primeiros golpes, algumas vezes até a perda da consciência.
Líder opositora em Belarus denuncia que foi ameaçada
“A tortura está em todos os lugares, não somente em Minsk. Recebemos testemunhos vindos de diferentes cidades. É um tipo de punição. Uma punição coletiva e politicamente motivada após as manifestações contra o poder”, diz Valentin Stefanovich, da Viasna. “Por exemplo, se a polícia encontra em seu telefone fotos das manifestações, ela te marca com uma tinta de uma cor específica e você é espancado de maneira mais severa que os outros”, explica.
Sem números confiáveis
A Viasna fala de centenas de casos de torturas desde o começo das manifestações em agosto. Nenhum resultou em investigações, enquanto ao menos 27 processos criminais foram abertos pela Justiça bielorrussa contra os opositores, segundo a ONG.
A OMCT pediu ao Conselho de direitos humanos da ONU na terça-feira (15) que realize uma investigação independente. O Conselho decidiu debater em urgência a situação no Belarus, na sexta-feira (18) em Genebra.
A Human Right Watch também documentou diversos casos de tortura de manifestantes anti-Loukashenko nos dias seguintes à eleição presidencial de 9 de agosto: espancamentos, eletrochoques, prisões em lugares lotados, insalubres e sem comunicação.
“Não é normal estarmos na Europa, em 2020, com uma repressão brutal como essa. Ver um estado usar estas táticas contra uma população pacífica é extremamente preocupante”, disse em entrevista à RFI Jonathan Pedneault, da HRW. “É uma coisa que deve ser denunciada e punida”, completa.
Nos últimos dias, as forças de segurança fizeram novamente prisões massivas de manifestantes, acompanhadas de violência. 
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