Onda de calor deve acabar apenas na segunda semana de outubro

Calor em São Paulo leva pessoas ao Ibirapuera (Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil)

Calor em São Paulo leva pessoas ao Ibirapuera (Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil)

Uma onda de calor que estacionou na região central do Brasil elevou as temperaturas a patamares históricos nesta semana.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as medições de São Paulo e do Mato Grosso do Sul estabeleceram novos recordes históricos de temperatura nos estados na quarta-feira 30.

Campo Grande bateu recorde e registrou 40,8ºC e a capital paulista 37,1ºC – segunda maior temperatura dos últimos 78 anos. Os meteorologistas estimaram que, nesta quinta-feira 1, o patamar de 2014 – o mais alto até então – tinha grandes chances de ser superado e alcançar 42ºC.

A pesquisadora Ana Ávila, diretora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas em Agricultura (CEPAGRI) da Unicamp, explicou que a massa de ar quente está estacionada na região central do Brasil, e o tempo seco eleva ainda mais as temperaturas, já que a radiação solar não atua na mudança de estado físico da água.

“O ar vai se tornando mais seco, e a radiação solar vai incidir sobre a superfície da terra e aquecer esse ar. Quanto mais seco é o ar, mais a temperatura tende a aumentar também”, diz. “A temperatura vai aumentando até que uma massa diferente consiga mudar esse padrão.”

Esse momento deve acontecer, em partes, no fim de semana, quando uma frente fria passa pelo litoral brasileiro, podendo trazer chuvas esparsas apenas na região. Ávila diz que é mais certo esperar chuvas mais intensas a partir de 9 de outubro.

Até então, é previsto que quem precise circular pelas cidades, principalmente, sinta ainda mais calor acumulado devido às ilhas formadas pelas edificações, falta de áreas verdes e múltiplos ares-condicionados ligados.


Termômetro de rua marca 38ºC na região central de São Paulo (Foto: Giovanna Galvani/CartaCapital)

“2020 foi um ano quente”

A transição inverno-primavera historicamente registra altas temperaturas, explica Ana – sendo que o recorde registrado em diversos centros diz respeito a essa época do ano. No entanto, os meteorologistas têm percebido que as chuvas estão chegando cada vez mais atrasadas.

“No verão, existem os sistemas meteorológicos que trazem chuva da região amazônica, e eles, nessa época do ano, ainda não estão atuando. O que temos verificado nas ultimas décadas é que o retorno das chuvas está atrasando mais, e esse período, então, fica muito quente e seco. As chuvas têm se estabelecido na segunda quinzena de outubro e novembro”, explica Ana.

A partir de 9 de outubro, a frente fria esperada deve aliviar também a situação crítica de seca no Pantanal, que torna mais fácil a proliferação de queimadas. Em 2020, o bioma registrou a maior queimada desde 1998.

Mas a impressão é que 2020 foi, de fato, um ano mais quente do que o comum. Essa sensação tem embasamento nos dados meteorológicos, explica Ana: de março a setembro, choveu apenas 30% do esperado para o período.

O momento faz a pesquisadora lembrar de outubro de 2014, período de seca intensa que causou uma crise hídrica em São Paulo.

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