O Jovem, a pandemia e o espaço reduzido no mercado de trabalho

A caloura do curso de Engenharia Civil da UFSC, Katharyna Do Carmo Macedo (18) é medalha de bronze nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas realizadas nos anos de 2014, 2016 e 2019. Esses pódios credenciaram a jovem a conquistar uma bolsa no valor de R$1.200,00 mensais, que a ajuda a custear as despesas no período em que cursa a faculdade. Natural de Marabá, no Pará, Katharina escolheu
a universidade catarinense porque dentro do seu sonho em se tornar uma engenheira civil, estava também contar com o apoio de uma instituição de ensino de renome e que pudesse ajudá-la na abertura de portas no mercado de trabalho.

“Já adolescente me aprofundei nos estudos, dedicando tempo extra. A medida que as oportunidades foram aparecendo fui aproveitando. Com o Sisu consegui ser aprovada para a UFSC e com a bolsa do Instituto TIM – OBMEP, terei a oportunidade de cursar com um pouco mais de tranquilidade financeira, uma vez que a grade curricular, tem por vezes, o dia todo ocupado o que impossibilita trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Certamente com a bolsa e o apoio da minha família, poderei realizar meu sonho”, conta.

A ajuda de custos disponibilizada pelo Instituto TIM a ela e para outros 49 alunos pelo Brasil em 2020, contribui também para amenizar uma triste realidade vivida por jovens em todo o país: a difícil tarefa de se colocar no mercado de trabalho, estando estudando ou mesmo quando formado.

Mediante a uma taxa de desemprego acima de 11,5% da população economicamente ativa (IBGE-Julho/2020), o jovem brasileiro se vê a deriva em um mercado com muitos profissionais sem colocação, em meio a uma pandemia, sem a experiência necessária e sem o apoio de programas governamentais que o ajude a garimpar oportunidades de trabalho.

“Os jovens selecionados para a Bolsa Instituto TIM – OBMEP ganham um suporte ainda mais importante nesse momento de pandemia e poderão manter seus estudos mesmo à distância. Muitas famílias perderam suas rendas, tiveram que cortar custos, e o Instituto TIM, ao garantir esse apoio financeiro, permite que alunos de todo o país possam realizar o
sonho de cursar o ensino superior. É um diferencial que pode transformar vidas, abrindo novas possibilidades”, destaca Gloria Rubião, Gerente de Responsabilidade Social Corporativa da TIM.

Para a professora de Administração da Estácio São José, Maíra Nogueira, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e o ingresso nas organizações passa a ser, muitas vezes, um sonho realizado. “E como realizar este sonho? Uma forma muito efetiva é
desenvolver as competências requeridas pelas organizações, adquirindo conhecimentos, desenvolvendo habilidades e, principalmente, incorporando atitudes necessárias ao desempenho diferenciado. É aqui que o ensino superior faz toda a diferença! Não é apenas ter um curso superior no currículo, é, sim, ter vivenciado e absorvido os conteúdos acessados nas aulas, estágios e atividades complementares realizadas”.

A professora ainda complementa: “Se tudo isso já era importante “ontem”, em tempos sem pandemia, “hoje”, quando a realidade de muitas empresas é demitir e não contratar, ter as competências requeridas passa a ser mandatório, uma questão de “sobrevivência”
no mundo do trabalho”.

Foi o que fez a o engenheiro eletrônico, Pedro Henrique Kappler Fornari, que teve seu projeto aprovado na edição de 2017 do Academic Working Capital 2020 (AWC), outro programa do Instituto TIM, voltado a financiar TCC de estudantes de faculdades de todo o Brasil, possibilitando ao formando ter acesso a apoio financeiro, técnico e de negócios, podendo a ideia ainda, ser transformada em startups de base tecnológica. Fornari, lembra quando ele e outros três colegas de turma na UFSC desenvolveram uma ideia que iria ajudar milhares de motoristas que circulam por rodovias. “A ideia foi apresentar uma ferramenta para auxiliar a identificação de buracos em estradas por meio de sensoriamento por distância, movimento, geolocalização. Seria uma ótima alternativa de monitoramento para empresas que administram estradas”, lembra Fornari.

Com o projeto aprovado, os estudantes puderam participar de todas as etapas do AWC. “Foi um período muito rico em troca de ideias e incentivo para que seguíssemos adiante”, reforça. Hoje o projeto se transformou em um negócio, e além dos quatro participantes em sua concepção, outras oito pessoas trabalham na empresa. A ideia inicial também se expandiu. “Hoje abrimos portfólio para prestação de serviços em organizações que atuam em infraestrutura, podendo atender uma fatia maior de mercado com outros produtos”, explica.

Já para a jovem Katharyna Moreira Lopes, que está no lado oposto, iniciando sua trajetória na faculdade, os sonhos são grandes e o caminho estará repleto de oportunidades. “As aulas hoje estão de forma online, tenho em mente buscar pelo caminho da pesquisa. Acredito que ao final do curso poderei ter a bagagem necessária para uma vida
profissional sólida, que quero construir desde já”, comenta a estudante.

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