Número de transplantes de órgãos despencou desde o primeiro caso de Covid no Brasil

O ano de 2020 começou com um número de doadores bem acima do registrado em janeiro e fevereiro de 2019, mas quando a pandemia chegou, as doações despencaram. No segundo trimestre deste ano, os transplantes de órgãos diminuíram quase 41% em relação aos primeiros três meses de 2020. Pandemia diminui números de transplantes de órgãos
Desde o registro do primeiro caso de Covid no Brasil, o número de transplantes de órgãos despencou.
“Nos primeiros dias, eu já, assim, eu já dormia um pouco com o celular na mão praticamente. Se eles me ligarem agora, eu tenho que atender, porque é importante”, conta Sérgio Henrique Pereira, analista de sistemas
Não é só o Sérgio. Mais de 40 mil pessoas no país inteiro esperam a vez de receber uma ligação. São os brasileiros na fila de um transplante.
O analista de sistemas descobriu que a doença no fígado chegou ao limite. Soube disso durante a pandemia, bem quando as doações de órgãos caíram. É tão grave que ele saiu de Teresina, no Piauí, e foi para Fortaleza, no Ceará, onde a cirurgia será feita. E agora é o segundo na fila de espera do estado.
“É uma decisão difícil de ser tomada por parte dos familiares, mas que vai trazer, assim, esperança e vai trazer vida para outras pessoas que realmente estão necessitadas”, avalia.
O ano de 2020 começou com um número de doadores bem acima do registrado em janeiro e fevereiro de 2019. Com o começo da pandemia em março, as doações despencaram e a situação se inverteu. No segundo trimestre deste ano, os transplantes de órgãos diminuíram quase 41% em relação aos primeiros três meses de 2020.
A maior queda foi na quantidade de transplantes de pulmão, perto de 80%, seguida pelos números de pâncreas, coração, rim e fígado.
Há várias explicações para essas estatísticas. A pandemia desmontou parte da estrutura hospitalar para transplantes, porque foi preciso abrir leitos e recrutar médicos e profissionais da saúde para tratar dos pacientes com Covid. Além disso, órgãos infectados pelo coronavírus foram descartados. Mas o pior parece ter passado.
Em agosto, as doações cresceram. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos lançou, em parceria com a Globo, uma campanha para conscientizar sobre a importância de, em vida, decidir ser doador. É simples e não tem burocracia. Basta avisar.
“Não adianta lei, não adianta ter documentos, registrar. O mais importante é todo cidadão afirmar em vida que ‘eu sou doador’. Quando isso acontece, as famílias sempre autorizam a doação de órgãos. Você informar para a família, para amigos nas redes sociais, fazer uma corrente de doação de órgãos. Isso é o mais importante”, destaca José Huygens Parente Garcia, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.
Carlos recebeu um fígado novo em agosto e ganhou tempo para ficar ao lado da família. Ele agradece aos parentes do doador que salvou a vida dele.
“Peço para Deus todo dia para cuidar dessa família porque, se não fossem eles, hoje eu não estaria aqui. O que eu mais quero é estar cada vez mais próximo da minha família, cuidar dos meus filhos, da minha mulher, da minha mãe, da minha família”, conta.
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