Nove pessoas são presas suspeitas de piratear e vender material de cursos preparatórios para concursos públicos

Nove pessoas foram presas numa operação da Polícia Civil do Rio, nesta terça-feira, suspeitas de integrar uma quadrilha que pirateava material de cursos preparatórios para concursos públicos. A ação foi batizada de Black Hawk. De acordo com as investigações, o bando agia há 20 anos. Eles invadiam sistemas dos cursos oficiais e pegavam o conteúdo deles. Depois, ofereciam o material pirata por cerca de 10% do valor original – que fica entre R$ 500 e R$ 10 mil. A quadrilha lucrou R$ 15 milhões.

Já os cursos que tiveram conteúdos hackeados acumularam um prejuízo de cerca de R$ 65 milhões. Entre o material pirateado comercializado pelo bando havia os voltados para concursos da Polícia Ciivil de vários estados, além das polícias Federal e Rodoviária Federal.

Um dos presos é Lothar Alberto Rossmann, de 71 anos. Ele foi localizado em casa, em Borda Mata, Minas Gerais. Na residência foram apreendidos R$ 15.600. De acordo com a Polícia Civil, Lothar tem conhecimentos avançados na área de Tecnologia da Informação (TI) e seria o responsável por quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos. Arquivos protegidos por senha eram desviados, salvos e transferidos para uma nuvem própria, onde as aulas eram disponibilizadas para clientes do bando.

Um desses clientes foi identificado pela polícia como sendo o funcionário do Tribunal de Contas de um estado. Ele usou a rede de seu local de trabalho para comprar um curso pirateado. A Polícia Civil informou que todos que compraram material da quadrilha podem responder por receptação, com pena de até quatro anos, e ser desclassificados dos concursos.

Ex-aluno da Aman é suspeito de chefiar a quadrilha

Segundo as investigações, o chefe do bando seria o ex-aluno da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) Antônio de Jesus Cabral, de 35 anos, preso em Vila Kosmos, na Zona Oeste do Rio. Ele é apontado como o responsável por gerenciar as plataformas da quadrilha e desponibilizar as aulas para os clientes.

Os investigadores afirmam que, para ocultar a grande movimentação financeira do banco, Antônio usaria parentes como laranjas. Um deles seria sua mãe. Dona de um modesto salão de beleza, Verônica de Jesus Cabral, de 56 anos, foi presa na Engenhoca, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. De acordo com as investigações, a mulher teve uma movimentação bancária de R$ 1,5 milhão e ganho líquido de cerca de R$ 500 mil em operações de bolsas de valores, como apontou o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf.

Outro laranja que, de acordo com a Polícia Civil, seria usado por Antônio seria seu irmão, um soldado da Polícia Militar, também preso nesta terça-feira.

A polícia conta ter descoberto ainda mais um artifício que seria usado por Antônio para esconder o capital da quadrilha: manter os bens adquiridos em nome dos vendedores. Além disso, policiais encontraram uma empresa fantasma localizada em um shopping de luxo na capital paulista.

As prisões

Além dos nove mandados de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, furto qualificado e violação de direito autoral, os agentes cumpriram tambem outros 19 de buscas e apreensão. As equipes estiveram em endereços no Rio; em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; em Saquarema e Araruama, na Região dos Lagos; e nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Borda da Mata. Participaram da ação cem policiais do Departamento Geral de Polícia Especializada (DPGE), da 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e da Polícia Civil de Minas Gerais. Os presos são:

1 – Antônio de Jesus Cabral

2 – Lothar Alberto Rossmann

3 – Verônica de Jesus Cabral

4 – Letícia Adele Cardoso Rossmann, de 35 anos, filha de Lothar

5 – Gilmar de Jesus da Costa, de 44 anos

6 – Caio Victor Oliveira dos Santos, de 20 anos

7 – Nelson Faria coelho Júnior, de 22 anos

8 – Daniello Azeredo dos Santos, de 42 anos

O nome do policial militar preso não foi divulgado.

Com Agências

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