Thursday, 06 August, 2020

JORNAL TIJUCAS

Nova Zelândia é mais um país a suspender tratado de extradição com Hong Kong


A Nova Zelândia suspendeu nesta terça-feira (28) o tratado de extradição que mantinha com Hong Kong devido à nova lei de segurança nacional aprovada pela China em junho.

Segundo o ministro das Relações Exteriores neozelandês, Winston Peters, o país não pode mais confiar que o sistema de justiça criminal de Hong Kong “é suficientemente independente” do chinês.

“Se a China demonstrar no futuro a conservação da estrutura ‘um país, dois sistemas’, poderemos reconsiderar nossa decisão”, afirmou ele, em referência ao sistema acordado pelo Reino Unido ao devolver a ex-colônia à China, em 1997, que garante liberdades não vistas na parte continental do país asiático, como um sistema judicial independente e mais liberdade de expressão e de imprensa.

O chanceler anunciou ainda que a exportação de equipamentos militares e de tecnologia para Hong Kong terão o mesmo tratamento dado às exportações à China e que a Nova Zelândia alterou as recomendações de segurança para viagens, alertando os cidadãos dos riscos da nova lei de segurança nacional chinesa.

No fim de junho, a China apertou o cerco a Hong Kong por meio da aprovação de uma nova regra que visa coibir atos considerados de secessão, subversão, terrorismo ou conluio com potências estrangeiras contra a ditadura comunista chinesa.

Para ativistas pró-democracia e grande parte da comunidade internacional, entretanto, a lei representa um retrocesso para os direitos dos honcongueses e uma ameaça à liberdade no território. O regime liderado por Xi Jinping nega as acusações e diz que a legislação visa “causadores de problemas”.

Também nesta terça, a China anunciou o fim dos acordos de extradição com Austrália, Canadá e Reino Unido, países que já haviam suspendido unilateralmente os pactos, também em protesto à nova lei de segurança nacional.

Hong Kong foi devolvida à China com a promessa de que a região teria condições diferentes das do resto do país até ao menos 2047. Nos últimos anos, porém, o governo de Pequim passou a tomar medidas para reforçar o controle sobre o território semiautônomo.

Em resposta, houve enormes protestos pró-democracia nas ruas, que se estenderam por meses ao longo de 2019. O governo cedeu em algumas demandas, mas os atos foram agregando novas questões.

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