Nova pesquisa do Ibope não aponta contaminação do coronavírus em Uberlândia; índices de Uberaba e Patos Minas ficam abaixo de 1%


Foram realizados 250 testes rápidos em cada município entre os dias 27 e 30 de agosto, durante a quarta etapa. Pesquisa do Ibope aponta baixo índice de contaminação em Uberlândia, Uberaba e Patos de Minas
Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) divulgou o resultado da 4ª fase da pesquisa para detecção de casos de Covid-19 em Uberlândia, Uberaba e Patos de Minas. Ao todo, foram aplicados 250 testes em cada município entre os dias 27 e 30 de agosto, que apontaram baixo índice de contaminação.
O trabalho é coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPeL) e foi financiado pelo Ministério da Saúde nas três primeiras etapas.
A partir da quarta fase, o financiamento foi feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo programa “Todos pela Saúde”. O objetivo é ajudar a identificar o número de pessoas que têm anticorpos para o vírus em vários municípios do país.
Veja os resultados da etapa, divulgados no dia 17 de setembro. Relembre como foram as fases anteriores.
Índices de contaminação
De acordo com o Ibope, a pesquisa apontou desaceleração da pandemia no país. Em Uberlândia, nenhum dos 250 testes realizados teve resultado positivo para coronavírus.
Em Uberaba, o estudo apontou índice de contaminação de 0,8%, ou seja, duas pessoas testaram positivo. Já em Patos de Minas, o índice foi de 0,4%, o que significa apenas uma pessoa infectada.
No entanto, segundo o coordenador geral do estudo, Pedro Hallal, os resultados não significam que as pessoas não tiveram contato com o vírus, pois os anticorpos detectados pelos exames duram apenas algumas semana.
“Ao contrário do que se pensava no início da pandemia, anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas, ou seja, infecções mais antigas podem já não ser identificadas pelo exame. Isso vem acontecendo também em diversos países, e não somente em estudos com testes rápidos como os utilizados no EPICOVID-19”, disse o coordenador.
Hallal também explicou que a diminuição dos níveis de anticorpos ao longo do tempo não significa que as pessoas estejam desprotegidas. Conforme ele afirmou, o organismo “guarda” a memória imunológica para produzir anticorpos em caso de nova contaminação.
4ª fase
De acordo com a supervisora do Ibope em Uberlândia, Sueli Garibalde, os 250 testes destinados para a maior cidade do Triângulo foram divididos em 25 bairros, com dez testes para cada um. Em cada bairro, os entrevistadores seguem uma rotina determinada previamente para descentralizar as amostras.
“O bairro é sorteado através do setor censitário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dentro do bairro a primeira abordagem é feita em um determinado quarteirão, e a partir dali pulamos nove casas para realizar a próxima abordagem. Em cada casa, um programa de computador sorteia um morador para realizar o teste”, explicou Garibalde.
Nas demais cidades, a dinâmica é a mesma, porém, o número de bairros que receberam a pesquisa não foi informado.
Etapas anteriores
Uberlândia, Uberaba e Patos de Minas foram os três municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que participaram da pesquisa “Evolução da prevalência de infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional”, realizada pelo Ibope.
O trabalho foi coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPeL) e financiado pelo Ministério da Saúde durante as três primeiras etapas. O objetivo é ajudar a identificar o número de pessoas com anticorpos para o vírus em vários municípios do país.
Em Uberlândia, durante a aplicação dos testes na primeira fase, moradores chegaram a acionar a Polícia Militar (PM), por acreditarem que a ação se tratava de um golpe. Ao todo, três casos de Covid-19 foram detectados durante as três fases.
“Os profissionais estão identificados com o crachá do Ibope. O morador também pode identificar os trabalhadores a partir do folder exclusivo com mais informações sobre a doença e ele mesmo fica com um documento assinado por quem realizou a entrevista, confirmando que ele participou da pesquisa”, completou a supervisora Sueli Garibalde,
Um caso foi detectado em Patos de Minas durante a primeira etapa. Já na segunda fase, nenhum município teve casos confirmados. Na terceira etapa, um caso foi confirmado em Uberlândia e outro em Uberaba.
Como funciona a pesquisa
Segundo o Ibope, todos os entrevistadores são identificados e utilizam todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários para evitar contaminação. As entrevistas e testes são feitos na área externa das residências, respeitando as regras de distanciamento.
“Os números de casos de infecção, internações e mortes por coronavírus se mantêm altos dia após dia no Brasil. Neste momento, precisamos das melhores evidências para embasar ações, preservar a saúde e prevenir mortes evitáveis de brasileiros”, explicou Pedro Hallal.
O teste demora cerca de 15 minutos para ficar pronto e, enquanto aguarda, a pessoa sorteada ainda responde a um questionário para saber o estado de saúde. Caso a pessoa tenha o resultado do teste como positivo, todo o núcleo familiar é testado também.
O Ibope ressaltou que é muito importante que os moradores selecionados aceitem participar desse estudo porque, além de ficarem sabendo do resultado dos próprios exames, contribuirão com a ciência e com os esforços de conter o avanço da pandemia no Brasil.