Nem toda boa ideia é um startup, diz gerente de inovação do Sebrae

Gerente de Inovação do Sebrae Nacional, Paulo Renato Macedo Cabral é categórico ao dizer que a entidade é o maior berço de startups da América Latina. O sistema atende, em média, 6.000 novos negócios por ano. “Nenhuma entidade pública ou privada atende um volume desses”, afirma.

O alcance do Sebrae se dá principalmente em função da capilaridade do sistema, criado para apoiar microempresas, contando com programas de inovação em todos os estados brasileiros.

Mas nem toda ideia que chega ao Sebrae, no entanto, é uma potencial startup. O primeiro passo importante para o qual a entidade contribui, diz o gerente, é saber diferenciar os tipos de negócio.

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Paulo Renato Macedo Cabral, gerente do Sebrae, berço de startups no Brasil
Divulgação

“Você chega com uma ideia de montar uma quitanda tradicional, isso não é uma startup, é uma pequena empresa. Mas se eu crio um negócio, ‘suaquitanda.com’, e dou oportunidade a empreendedores de montarem sua própria quitanda na garagem de casa, mando layout, e ele vende por conta própria, isso é uma startup”, explica.

Cabral faz questão de ressaltar que o fato de uma boa ideia não ser uma startup não faz dela um empreendimento menos importante.

“Pelo contrário, os pequenos negócios são responsáveis pela maioria dos empregos no Brasil, constituem toda a nossa base empresarial, mas temos que ter uma boa base inovadora, porque é ela que vai permitir ao país ser mais competitivo, vai gerar empregos de alta qualificação.”

Cabral destaca como essenciais para fomentar o ecossistema de inovação o incentivo a pesquisa e desenvolvimento nas universidades, a formação de recursos humanos de alta qualificação e a consolidação de uma cultura de inovação.

“Startup não nasce por geração espontânea, depende do empreendedor com boa formação. É necessário formar esses recursos humanos, dar acesso à tecnologia. Como desenvolver uma startup em um município que não tem infraestrutura?”, questiona.

Cabral explica que, uma vez identificada a vocação de startup em um negócio apresentado, o Sebrae encaminha o empreendedor a potenciais compradores e clientes, para ver se há um mercado para a ideia em questão. Ultrapassada essa etapa, o empreendedor recebe mentoria, consultoria e orientação.

Para o caso de negócios que chegam ao serviço mais estruturados, mas que não conseguem decolar, o Sebrae ajuda com operação e tração -o crescimento da empresa.

“Cada Sebrae atua com as startups nas fases em que seus mercados têm mais maturidade”, diz. “Em São Paulo, você tem startups que já faturam R$ 5 milhões, exigem produtos mais sofisticados, em outros lugares você tem mais demanda pela fase de concepção, de validação do negócio”.

Passada a fase de aceleração, o Sebrae também oferece o programa Capital Empreendedor, que conecta as startups com investidores, investidores anjos e fundos de investimento, apresentando-as ao universo do venture capital.

Também oferece o Startup Like a Boss, um concurso de sugestão de ideias que prepara idealizadores para se apresentarem ao mercado, diante de bancas de especialistas na área de atuação específca. Se a empresa estiver madura o bastante, pode ir para o exterior por meio do programa StartOut, feito em parceria com o Ministério de Relações Exteriores, a Apex e a Anprotec.

Segundo Cabral, 35% das startups que chegam ao Sebrae estão na fase de concepção e validação. “Em metade delas, o cidadão está criando um bom negócio, tem uma boa ideia, mas precisa validar, e é onde o Sebrae é muito bom. Nós ajudamos os empreendedores a fazerem sua startup nascer”, define.

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